Segunda, 09 Março 2015 05:50

Anotações de Pesquisa: História do Ceará

 
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Muito tenho lido e estudado à noite nos livros que adquiro nos sebos (Estante Virtual). Minha biblioteca sobre a História do meu Ceará é modesta, todavia com bons livros.Os temas mais polêmicos estou sempre revisando e eles se ligam à morte de Jota da Penha e a sedição de Juazeiro. Meu propósito é uma revisão de alguns temas de história do Ceará.

Fui convidado pela TV Icapuí fins prestar assessoria histórica no curta A Tomada do Crato (Sedição do Juazeiro), outrossim, convidado para dar palestra sobre o mesmo tema no Cariri Cangaço.

http://cariricult.blogspot.com/2010/02/o-cariri-cangaco-2010-ja-comeca-ser.html

http://caririag.blogspot.com/2010/07/inscricoes-abertas-para-cariri-cangaco.html

Esse pessoal estava desesperado para encontrar um dos livros que possuo,o livro do Carlos Livino de Carvalho, à época juiz de direito em exercício no Crato e grande amigo do aventureiro Floro Bartolomeu. O Depoimento deste juiz é importantíssimo uma vez que ele foi testemunha de toda tomada do Crato pela jagunçada do Juazeiro.

Inclusive, o Padre Roserlândio 1º chanceler da Diocese da Villa Real de Nossa Senhora da Penha do Crato, deu-me acesso a todos os assentamentos de batismos, matrimônios, óbitos e proclamas, alem das atas das reuniões das irmandades que datam desde de 1803. E tudo digitalizado. O tamanho do arquivo: 12 DVD´s. A leitura paleográfica não constitui para mim nenhum problema.

Fiz uma descoberta importante. Descobri que o Pe. Cícero Romão Batista não nasceu no dia 24 de março (como todo livro de história apregoa) ou seja no dia da vigília da Anunciação de Nossa Senhora. Ele nasceu mesmo no dia 23. Para tanto, separei com carinho seu assentamento de batismo. E por falar em assentamentos, o que tem de filho natural e exposto no Crato nos meados do século IXX é em grande número.

É padre batizando o próprio filho, e fazendo a escrituração do assentamento de batismo. Exemplo disso é o pai do José Marrocos, o Pe. Joaquim Marrocos. O José Marrocos foi o ferrenho defensor do Padre Cícero e Maria de Araújo quando se envolveram no milagre da hóstia que causou a ela, principalmente tanto sofrimento.

III) Outro tema atrente são as hipóteses sobre a “Heroína” D. Bárbara de Alencar, mãe do Pe. Martiniano, com o Pe. Saldanha, vigário colado do Crato à época. Não me causaria nenhum espanto se o Pe. Saldanha viesse a ser o pai do Pe. Martiniano, conseqüentemente avô do escritor José de Alencar. Praticamente três gerações de levitas.

Muito provável minha asserção, uma vez que o esposo de Dona Bárbara o português José Gonçalves do Santos nunca acompanhou Dona Bárbara até a Vila Real do Crato, permanecendo no termo do Exú em Pernambuco.

Outrossim, caminho penoso do Exú para o Crato, uma vez ter os viajantes que transpor os contrafortes da chapada do Araripe que são muito inclindos na parte pernambucana. Acredito de 03 a 04 dias em lombo de animal, e note que o puça Zé Gonçalves era de idade avançada. E o José Gonçalves do Santos, não era comerciante coisa nenhuma, ele era pecuarista.

Dona Bárbara residiu no Crato por muito tempo, e já em 1838 topei com um assentamento de batismo em que D. Bárbara figura com madrinha, sendo o padrinho José Damásio de Lima. Acontecimento bastante invulgar, fugindo totalmente aos padrões daquela época, pois como senhora casada o esposo de D. Barbara deveria ser o padrinho, sequer poderia ser um parente próximo, o que dizer então de um estranho. E mais:

O sobrenome Alencar, é simplesmente corruptela. O correto é Alenquer. Basta consultar a lista telefônica em qualquer cidade portuguesa, pois nunca plotei um Alencar, enquanto Alenquer...

E as desmoralizações e rebaixamento moral no Cariri cearense aquela época eram tipo Sodoma e Gomorra. Muito da sordidez e da depravação sexual daquele tempo são relatadas em suas minudências nestes excelentes livros:

Viagens no interior do Brasil, do Botânico inglês George Gardner; 1837

O relatório da visita do Bispo D. João Marques da Purificação Perdigão aos ermos do nordeste em 1864.

“A Comissão Científica do Império (1859-1861)” foi uma prova disso.Formada que foi pelo botânico Francisco Freire Allemão e o geólogo tarado Guilherme Capanema, dentre outros depravados. Na realidade esta “comissão” fora crismada por Comissão das Borboletas, melhor seria se fosse pelo nome de Comissão dos Tarados, e esta [“come”-ssão] chula de donzelas cearenses por um Capanema embriagado e escandaloso foi uma lástima desse ponto de vista.

Lembra o resultado que deu a tentativa de adaptação dos camelos no Ceará? Tudo errado por culpa das arrogâncias do Capanema.

IV) Estou quase completando minhas pesquisas sobre o Combate de Miguel Calmon, atual Ibicuã, distrito do Município de Piquet Carneiro, um pouco abaixo da linha do sertão central. Em anexo uma foto minha no exato local onde tombou o Capitão J. da Penha em 22 de fev. de 1914.

Tudo isso devo a minha avó, a poetisa Dalila Goes Ferreira que despertou esta minha paixão pelo combate em Miguel Calmon e o J. da Penha. Lembro de cada verso de uma linda melodia que ela costumeiramente cantava e quie principiava assim: Morreu no campo da honra... Jota da Penha morreu

V) Muita coisa descobri sobre a Sedição do Juazeiro, muito tenho lido, estudado e levantado o terreno.

O aclamado Livro do Rodolfo Teófilo, A Sedição do Juazeiro está eivado de lendas e estórias, poderei comprová-lo com a continuação das minhas pesquisas,da mesma forma que fez o Menton de Alencar com as sua críticas a Rodolfo Teófilo.

Estou procurando o importante livro: Um Crime Político do J. B. Holanda Cavalcante. Fortaleza: Typographia Central, 1934. 112 páginas. (Ainda que xerocado em muito terá valia).

Só de posse deste livro é que poderei terminar minha saga da Sedição do Juazeiro e a elucidação do combate de Miguel Calmon que no meu entendimento mudou a história política do Ceará.

O J.B. Holanda era o farmacêutico do Batalhão Militar que cercou o Juazeiro em Dezembro de 1913 sob o comando do Cel., na verdade Ten. do Exército (Outra lenda desmistificada por mim que ainda não consta em nenhum livro de história e/ou trabalho no Ceará) Alípio Lopes de Lima Barros.

Lido 1261 vezes Última modificação em Domingo, 31 Maio 2015 23:42
Clovis Ferreira da Cruz Ribeiro de Campos Lobo

Bibliófilo, genealogista e pesquisador.

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