Sexta, 06 Março 2015 09:52

Conferência do Senador Virgílio Távora

 
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 O Sr. PRESIDENTE : - Com a palavra o nosso ilustre conferencista, Senador Virgílio Távora.

 

 O SR. VIRGÍLIO TÁVORA : - Sr. Presidente, senhores participantes desta reunião, que, certos estamos, novos destinos indicará, novos rumos traçará ao tratamento do problema da seca, as nossas primeiras palavras são de louvor para a preocupação que os empresários cearenses, aqui reunidos sob a égide da FACIC, têm para com os destinos da comunidade a que pertencem, sempre procurando a solução dos problemas maiores que a aflige.

Nós gostaríamos de iniciara esta palestra, que não será sob forma de conferência e sim de notas espaças, que vão fornecer, diremos, algumas achegas que cuidamos interessantes, de transmitir aos senhores, com toda a experiência dos anos, que com o problema nordestino temos tido, o contato e, ao mesmo tempo, daquilo que o lidar diário dos embates parlamentares nos fez convicção na mente.

Inicialmente as nossas palavras resumirão o mais sinteticamente tudo aquilo que aqui foi dito, pelo adiantado da hora, será uma repetição daquilo de Paulo Lustosa: a seca, mesmo considerando a sua imprevisibilidade, deve sempre ser levada em conta, quando da definição das políticas de desenvolvimento regional, como fator altamente condicionante deste processo de desenvolvimento.

Numa apreciação sucinta, diremos que, na fase atual, na fase chamada moderna, do desenvolvimento nordestino, como quase que uma reação, houve o relegar do problema das secas não a um papel secundário, dentro deste desenvolvimento, mas a uma posição em que todos os fatores de preocupação sobrelevaram. Hoje em dia, o que vemos é, justamente, a obra do Governo Federal, procurar retificar esta atitude que era como que natural. É muito mais agradável, é muito mais convidativo se procurar resolver um problema do solo petroquímico da Bahia do que tratar de enfrentar a emergência de uma seca ou planejar o desenvolvimento de uma região como o norte da Bahia.

Os técnicos, de uma maneira geral, sentem-se muito mais convidados, muito mais atraídos à solução daqueles problemas que respondem aos números, com uma precisão muito maior.

Passando por cima do histórico de seca e da ação dos diferentes órgãos, seja DNOCS, seja outro qualquer, que tiveram, quanto à missão a si atribuída, aqui por demais discutido, nós gostaríamos, entretanto em cheio no problema que nos propusemos, dizer que as principais dificuldades do Nordeste semi-árido, teatro das secas, podem-se ficar em oferta de água acumulada e sistema de produção prevalentes na região. O GTDN, que nunca o nordestino deve perder de vista por ter sido o primeiro trabalho organizado de planejamento do chamado Nordeste, tal qual a SUDENE, hoje, o entende, já dizia que no Nordeste semi-árido – isso nos idos de 50 – o objetivo central de uma política de ação governamental deveria ser a determinação do tamanho da unidade típica de produção e a caracterização das melhores formas de combinação dos fatores produtivos.

Ainda fazendo apelo, podemos dizer respondendo a pergunta: como resolver o problema da agricultura nordestina na zona semi-árida? Afirmar que vários são os caminhos e soluções. Primeiro, o de natureza econômica, cultivo dos espécimes mais resistentes à seca, as xerófilas, as aqui já tão percutidas; agro-indústria, onde possível. Outro de natureza econômica mas já dirigida para outra faceta do problema; a instituição de sistemas de compensação ou seguro, que assegurem ao agricultor, durante o ano de seca, uma garantia de renda mínima, assunto, também, aqui já bastante discutido. De natureza técnica: irrigação, sempre que factível e associação de irrigação com cultura seca, isto é, a associação da cultura irrigada com a cultura  seca. Poderíamos apresentar outros, o uso da técnica do plantio e finalmente uma combinação de algumas dessas variantes. Permitimos, noutra pincelada, chamar a atenção da importância, justamente da associação, para este Nordeste semi-árido, da cultura seca com a cultura irrigação. Chamando a atenção de que o número de hectares irrigáveis dos grandes perímetros que poderíamos dispor dentro de toda a vasta região nordestina, não chega a 3%, o que nos deixa um grande vazio coberto por outras formas de atividade.

Gostaríamos, também, como outro dado que ia embasar o nosso raciocínio, informar que, em média, conforme a natureza do terreno, o hectare irrigado pode equivaler de 20 a 100 hectares, dentro das diferentes regiões, sub-regiões, que informam a grande região semi-árida aqui citada. Mais ainda, quanto a pecuária, poderíamos afirmar que, também, proporção símile poderemos obter quando da aplicação dos mesmos números a esta atividade. Cumpre os diferentes programas governamentia, verificam os senhores que estamos como que dando pílulas porque, a nosso ver, parece que o interesse maior aqui do auditório, por duas ou três intervenções, reclamando explicações a respeito, está no projeto sertanejo.

Os diferentes projetos, o Polonordeste, os programas de irrigação, aqui já tão bem descritos pelo Dr. José Oswaldo, seja a irrigação pura, sejam os projetos mistos, sejam os projetos da zona de transição, sejam aqueles outros do aproveitamento das bacias a montante dos grandes reservatórios, o projeto d agro-indústria, os programas para os agricultores de baixa renda e o programa de industrialização rural, estes dois últimos ainda não implementados. Os programas pioneiros, feitos aqui no Ceará, pelo Governo de estado, o programa contra os efeitos da seca para o qual, lamentavelmente, por falta de tempo não poderemos dar maiores detalhes mas chamávamos bastante a atenção dos senhores, dado o alto valor econômico de que se reveste, lembrando que enquanto a criação de um emprego direto por este projeto, por exemplo, fica na ordem de grandeza de 6 milhões, ou melhor, seis mil oitocentos e oitenta e nove cruzeiros, sessenta e seis mil de um projeto de irrigação, onze mil da colonização média em todo o Brasil, vinte e um mil do programa agro-industrial da nossa região, pois todos estes projetos, todos estes programas, senhores, pretendem responder justamente, a estas formas aqui apresentadas, de enfrentar a solução da agricultura nordestina.

Finalmente, em cinco por cento das atividades governamentais de palácio a esta zona semi-árida podem ser, com permissão do ilustre Superintendente da SUDENE, - acrescentamos aqui um se – se realmente o programa sertanejo responder àquelas esperanças que estão fundamentadas em premissas, a nosso ver, absolutamente certas, 95% destas propriedades estarão, em um futuro que veremos nos nossos filhos, atendidas e organizadas estas propriedades.

Poderíamos dizer em que consiste a organização da pequena e média propriedade agrícola no Nordeste. Antes de qualquer coisa uma ênfase a uma política de água, em nível de unidade de produção, uma pequena e média açudagem a orientando para o aproveitamento econômico em atividades produtivas e para o cumprimento da função social de atingir o maior número possível de pessoas. No Nordeste, para base de nosso raciocínio, nós tínhamos 31% das famílias agrícolas da região de proprietários minifundistas e ocupantes, 16% de arrendatários e parceiros, 32% de assalariados sobrando 21% para o novo proprietário.

Para que organizasse essa pequena e média propriedade, no Nordeste, de maneira a torná-la como uma realidade inelutável que tenho de lutar contra a seca, para torná-la apta a esta luta, alguns pontos fundamentais, gostaríamos também, dado o adiantado da hora, ainda mais resumir.

Primeiro, a seca atinge intensamente aos pequenos produtores e agricultores sem terra,  em especial aos parceiros, aqueles 16% a que nos referimos. Os efeitos da seca são reflexos da fragilidade econômica dos grupos sociais atingidos.

Esses reflexos atingem, diretamente, sobretudo aos pequenos e médios proprietários que, em princípio se mostram incapazes de reter a mão de obra e auxiliar, passando em seguida, logo que o fenômeno climático se agrava, a ele mesmo flagelar.

Um programa de fortalecimento da economia dessa região semi-árida deverá ter como finalidade o desencadeamento de um processo intenso e eficaz de desenvolvimento agrícola, respeitadas aquelas e premissas citadas, donde teremos como componente básico a reorganização do seu sistema de produção para ajustá-la às necessidades do meio físico e econômico.

Teríamos então como objetivos básicos, e aí já vamos dando aos senhores os objetivos do próprio projeto sertanejo, respondendo à indagação do Jaime Machado.

Primeiro a organização das unidades de produção de modo que, na ocorrência da seca, suas atividades, conseqüente o nível de emprego se desenvolva com maior normalidade, com uma redução, que haverá, claro, suportável das atividades e do nível de emprego vigentes em anos normais.

Esse nível de atividade de emprego nas unidades agrícolas deverá ser de tal intensidade que as famílias, participando da unidade produtiva não se transformem em flagelados.

A resistência dessas unidades de produção à seca deverá ser obtida através de processo intenso do desenvolvimento agrícola a que nos referimos, de modo que a unidade de produção esteja preparada para absorver, rotineiramente, como se fosse uma cousa normal, a redução das atividades produtivas, sem acarretar diminuição no bem estar familiar.

Os serviços de apoio ao desenvolvimento agrícola deverão ser organizados de modo a complementar o nível de resistência interno desta unidade de produção.

Deverá ainda ser promovida uma reestruturação da estrutura de produção da região, possibilitando aos pequenos estabelecimentos expandirem suas áreas, possibilitando aos pequenos estabelecimentos agregarem suas áreas, até quanto se fizer necessária a sua viabilidade como unidade de produção e ensejando modificação profunda no atual sistema de posse a terra, principalmente no que se refere à parceria. Portanto, o projeto sertanejo, para sua operacionalidade, vai exigir criação de núcleos, tendo como ponto central um centro de serviços. Esse centro de serviços vai dar, num raio de 30 quilômetros, às pequenas e médias propriedades  nesse círculo compreendidas, não só o apoio para elaboração dos projetos, a organização da sua produção e comercialização agrícola. As ações do núcleo serão desenvolvidas de duas formas: uma ação externa e uma ação interna. Uma ação externa de apoio e uma ação interna de assistência. Dissemos, e vamos repetir, que a idéia dominante vai ser justamente conferir resistência à unidade de produção aos impactos da seca. Assim, no Ceará foram escolhidos, já que inicialmente os centros de apoio vão ser, ou  o pólo de irrigação, para se utilizar à infra-estrutura lá existente, ou os pontos regionais de desenvolvimento integrado, que sabem os senhores, pelas informações aqui dadas pela manhã, são as bases do chamado polonordeste.

No Piauí; Piri-Piri e Simplício Mendes, no Ceará; Tauá e Iço; no Rio Grande do Norte: Mossoró e Caicó; Na Paraíba Sousa e Tomé; em Pernambuco: Salgueiro e Custódia; ba Bahia: Irecê e Guanhambi.

Gostaríamos de dizer aos senhores e já tivemos ocasião de em intervenção neste plenário reafirmar, que o projeto que inicialmente estava proposto para se iniciar em 1976, só havendo uma definição da parte de financiamento no início deste ano e em condições muitíssimo mais vantajosas do que aquela que inicialmente sonhava o Dr. José Lins aí na SUDENE, foi deferida seu início para o ano de 77 mas aqueles 14 centros a ser implantado em 77 vão se somar àqueles 12 que deveriam ter sido em 76. Poderemos dizer a vocês que há recursos absolutamente alocáveis, ou melhor, alocados, quer dizer, não são recursos em conversa, são recursos, este ano, num montante de 15 milhões de cruzeiros, aprovados pelo Conselho Monetário Nacional estes 15 milhões de cruzeiros para crédito de investimento 450, de fundiários 50.

Já dissemos as condições especialíssimas quanto ao custeio e estamos abreviando aqui a nossa exposição quanto ao custeio e quanto às obras de investimento propriamente ditas que seriam realizadas nas propriedades, os juros absolutamente desconhecidos pelo rurícola brasileiro, até hoje, repetindo, prazo de 20 anos, 6 de carência, juros de 2% ao ano. Os senhores não são adivinhos mas sabem de onde virá essa pecúnia.

Em 78 teremos a fixação de mais 17, em 79 outro tanto, de maneira a chegar, no fim deste último ano, com um total de 60 núcleos, que vão corresponder ao investimento total de seis bilhões e oitenta e seis milhões de cruzeiros dos quais 4 bilhões e 700 de crédito e um bilhão cento e vinte de investimento do próprio programa, isto é, da criação dos diferentes núcleos e do apoio que estes núcleos precisam ter para que possam exercer a sua função de apoio às diferentes unidades.

Uma crítica muito comum de ouvirmos: por que o projeto sertanejo envolve a pequena e média propriedade? Até 500 hectares? Não, ele envolve quatro classes de rurícolas, a última delas o proprietário com mais de 500 hectares, desde que o dono do terreno concorde em, junto com a SUDENE e o INCRA , ninguém é obrigado a fazer parte do projeto, a então fazer o aproveitamento integral e social desse terreno.

Uma diferença básica entre o projeto sertanejo e o projeto de irrigação, quanto à posse da terra, é que o projeto sertanejo vai dar esse apoio ao dono da terra, isto é, não há para o pequeno e médio fazendeiro aquele temor da desapropriação, é na sua propriedade que o núcleo vai, justamente, exercer sua ação.

Então pergunta, qual a ação desse núcleo? Nós desejamos ter, em cada propriedade, para responder aqueles requisitos de sustento da população já lá existente, mesmo nos períodos de seca, um pequeno açude ou um poço e dois a três hectares irrigados. Vimos que na proporção de hectares irrigados, dois hectares irrigados correspondem à produção, conforme o terreno, de 40 a 200 hectares de área seca. Então, de um lado seria a cultura irrigada e de outro lado o apoio que o núcleo vai dar à cultura irrigada e de outro lado o apoio que o núcleo vai dar à cultura seca, com adaptação das xerófilas de maneira a tornar esta unidade resistente à seca. Esta propriedade beneficiada, pretende a SUDENE que de 77 a 79 alcance o número de 28.200, com empregos permanentes de 127 mil, empregos temporários de 12 mil, hectares de pasto melhorado 1.000.410, hectares de lavoura seca 282.000.000, ou melhor 282 mil, hectares beneficiados 7 milhões.

Se compararmos esses dados, esses números com os de programas outros levados a efeito na região, hão de ver os senhores o que representa este programa, o que de esperanças imensas devemos nele depositar, porque este programa atinge diretamente, não 282 mil pessoas, mas atende a 282 mil rurícolas, desde os agricultores não proprietários com acesso precário à terra, passando pelos pequenos proprietários com área disponível inferior ao mínimo necessário para sua viabilidade como unidade de produção autônoma.  Indo aos médios proprietários que dispõem de estabelecimentos até 500 hectares, e finalmente englobando, como já fizemos menção, aqueles proprietários de terra com área superior a 500 hectares, cujos projetos aprovados pela SUDENE e pelo INCRA  proporcione um acesso à terra os trabalhadores que não são proprietários e aqueles pequenos proprietários cujas glebas não constituem unidades economicamente rentáveis.

Diríamos aos senhores que é a grande esperança do Nordeste semi-árido, esperança esta que não está hoje apenas em palavras, está com os recursos alocados e tem uma direção firme para levá-lo adiante.

Escravo da hora, sabemos que está quase a terminar o tempo não podemos entretanto deixar de ver quais as sugestões a enfrentar no combate aos efeitos da seca?

Primeiro: soluções estruturais em longo prazo. Os programas de desenvolvimento industrial, programas de reforço à economia rural e programas preventivos de nucleação artificial, previsão de chuvas.

Soluções em curto prazo: preventivamente estímulo a investimentos que reforcem a resistência à seca. Linhas especiais de crédito com composições previstas.

São estas as nossas sugestões. Sob a orientação e comando da SUDENE, criar, afora os programas de desenvolvimento industrial, tão necessário ao Nordeste, e a zona semi-árida mecanismos que processem a organização da agricultura, independentemente da irregularidade climática, tanto quanto possível. Dar maior extensão, na zona semi-árida, ao projeto sertanejo, polonordeste, programa de irrigação, projetos mistos, projetos da zona de transição, projeto do aproveitamento racional dos terrenos a montante dos grandes reservatórios, programa de destilização rural e programa especial para agricultores de baixa renda. Esses dois últimos ainda por implantar.

Deflagrada que seja a calamidade climática evitar ao máximo as frentes de serviços ou frentes de trabalho, estendendo, com base nesta experiência, aos rurícolas da região afetada, as condições especiais de financiamento desse projeto, vinte anos de prazo, juros de 2%, 6 anos de carência, ou em casos especiais bolsas de trabalho. Pressupunha a idéia e vimos aqui quando Arilo a anunciava , porque havia telepatia, uma planificação a ser feita agora, nas épocas bonançosas, com base no levantamento da capacidade de absorção de mão-de-obra existente via investimento a serem realizados nestas diferentes unidades produtoras de maneira a impedir, ao máximo possível, o deslocamento do homem na hora em que a crise climática se abate sob a região. Aqui gostaríamos de tecer mais alguns comentários. Não adianta chegar a uma seca e então irmos discutir qual a melhor política de atendimento aos efeitos do flagelo, naquela ocasião. O que nos interessa, e é nossa opinião, achamos que, da noite para o dia não se pode dizer, acabaram-se as frentes de trabalho, mas ir reduzindo-as paulatinamente, na medida em que esta idéia exposta por Arilo e exortada por nós pode ser transformada numa realidade, isto é, o INCRA a SUDENE têm os meios necessários para já, em tempo de bonança, sabe, no município X, o número de propriedades, dentro destas propriedades o número de pessoas e a capacidade que estas propriedades têm, mercê de obras a serem nela construídas, para absorver a mão-de-obra que, em tempo comum, nela reside, seja  sob a forma de parceiro, de meeiro ou de trabalhador assalariado. Assim, deflagrado o fenômeno, que não é geral e mesmo que geral não se estende, imediatamente, a toda a região, poder-se-ia paulatinamente verificar se esta idéia, realmente, tem um embasamento frio, um embasamento que não seja emotivo e que possa trazer, para o futuro inverno, já uma base sólida de trabalho dentro destas propriedades flageladas. Em assim se procedendo, em fazendo experiência nós teríamos os dados fundamentais para afirmar que, realmente, a era das frentes de trabalho, das frentes de serviços pertence a um passado que esperamos esquecer em breve.

Esta, Sr. Presidente, srs. Participantes a nossa cooperação. A matéria é fascinante, só o projeto sertanejo exigiria horas e mais horas para percutirmos todos os seus detalhes mas esperamos, se felicidade tivermos, em transmitir a todos os senhores, aquilo que refutamos nós, desde Epitácio Pessoa, é a tentativa mais válida, a tentativa mais séria que já se fez, na zona semi-árida, para enfrentar um problema que desafia gerações. Esperamos, para honra nossa, que José Lins, que a SUDENE tenha realmente encontrado o caminho certo o caminho que todos nós almejamos.

Era isto, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE – Está facultada a palavra a quem quiser fazer alguma pergunta ao Senador Virgílio Távora.

Eu peço que as perguntas sejam o mais sintéticas possíveis, dado o adiantado da hora.

- Sr. Presidente, Senador Virgílio Távora, Sr. Superintendente da SUDENE, o nosso apelo era também à FACIC, aos clubes de serviço, ao DNOCS para que juntos, todos nós, fizéssemos realizar lá, em Icó e Tauá, projetos sobre o projeto sertanejo para que os pequenos e médios agricultores pudessem tomar conhecimento do projeto e assim a ele se filiarem, porque nós sabemos que é uma dificuldade muito grande convencer o rurícola, principalmente o pequeno e médio proprietário dos grandes benefícios que este projeto pode trazer. O Dr. José Lins, o Sr. Diretor da SUDENE sabem muito bem que, desde a primeira hora, nós na APRECE e na Prefeitura de Iço, quando éramos Prefeito, abraçamos o projeto sertanejo como uma grande esperança para o Ceará seco. Então, é preciso que também esta mensagem vá aos rurícolas e a FCIC, as Associações Comerciais, os clubes de serviço, os Sindicatos de Trabalhadores Rurais, o Sindicato de Proprietários podem perfeitamente, lá na zona onde será implantado o projeto sertanejo fazer conferências, palestras, as mais simples possíveis, ao alcance dos rurícolas para que eles se engajem nesta nova esperança, que é o projeto sertanejo.

Esse é um lembrete, esse um convite também em nome da Prefeitura de Icó, que aqui representamos, que lá,  às esperanças da prefeitura e acreditamos que o DNOCS, seja realizado o 1º Encontro do Projeto Sertanejo com os rurícolas e com os empresários da região.

Muito obrigado.

O SR.VIRGÍLIO TÁVORA – Eu acho muito interessante à proposição do nosso companheiro e tenho certeza, de ante mão que tanto a SUDENE como o DNOCS irão atender a este apelo e a FACIC se associa também para proporcionar aos homens do campo, principalmente aos de Icó e Tauá, como foi sugerido, para que sejam feitas palestras lá, neste sentido.

O SR. PRESIDENTE – Com a palavra o Superintendente da SUDENE

O SR. SUPERINTENDENTE DA SUDENE – Em 1º lugar eu gostaria de agradecer as palavras amáveis do senador Virgílio Távora. Realmente esta idéia do projeto ela é intuitiva e eu acho que o projeto merece as esperanças com as quais nós o estamos olhando.

Eu queria só fazer uma observação. Em primeiro lugar, o Senador Virgílio Távora se referiu a um projeto no qual o emprego está saindo mais barato do que na irrigação, do que no projeto de agro indústria e ele não sabe ainda se esse projeto é um projeto lançado por nós, o chamado o mini-sertanejo. Foi um teste inicial para o projeto sertanejo. Este teste inicial foi feito com algumas propriedades, apoiado pelo Governo do Estado, Secretaria de Planejamento, e o nosso Secretário Lustosa da Costa está presente, e eu hoje tive a preocupação de me informar o que aconteceu com as 64 propriedades que tinham sido escolhidas para este teste do projeto sertanejo. E tive a satisfação de saber que ninguém destas propriedades flagelou este ano. Que o investimento médio, por propriedade apenas propriedades que já tinham açude, porque nós não tínhamos ainda as linhas de crédito do projeto sertanejo. Então estas propriedades foram ajudadas a se organizar no tipo sertanejo para poder sofrer esta experiência e parece, parece não, a experiência está sendo bem sucedida.

Em segundo lugar, eu acho que a colocação que o Senador Virgílio Távora fez, sobre problema das frentes, é real. Ela é consentânea com o pensamento de todos nós, inclusive o meu.Eu acho que a frente de serviço deve ser parcimoniosamente utilizada somente quando estritamente necessária, mesmo porque, nas frentes de serviço atuais nós tínhamos 25% dos flagelados que eram proprietários. Então notem bem, nós não podemos levar o problema somente pelo lado do apoio a este proprietário que, na realidade, está precisando de dinheiro mas que também precisa de tecnologia, de apoio do Governo em outras áreas. Então, acho que nós devemos banir a frente de serviço. Como? Na medida do possível pela interferência, através destes programas, no caso especificamente o projeto sertanejo, dentro da propriedade. É ela que tem que ser transformada e também o homem que opera com a propriedade que tem que ser transformado. De modo que esta informação é importante, e ainda mais, quanto a elaboração de projetos para ser utilizados como um estoque, isto também é importante e eu posso dizer aos senhores que nós temos já levantados todos os dados sobre as propriedades, quantas por município, aonde estão, quantas pessoas tem, natureza da produção e ainda também informações, que foram conseguidas pela elaboração deste dados, sobre o tamanho típico médio da pequena propriedade.

Eram estas as informações que eu queria dar e acho que V.Exa., Sr. Senador, foi muito bondoso mas também foi extremamente feliz em suas colocações. (Palmas)

- Perguntaria ao Senador Virgílio Távora se, dentro do projeto sertanejo não haveria viabilidade da adoção do chamado crédito volante, adotado no tempo do ex-Presidente Jânio Quadros, com tanta eficiência e nós temos prova quando éramos fazendeiro em Goiás.

O SR.VIRGÍLIO TÁVORA – Isto é um modus operandi , dentro da forma com que for apresentado o crédito, seja esta seja outra cousa. É um modo de operação. O conjunto do projeto, como o crédito vai ser dado eu mesmo, depois, quando já era Governador, ainda vi em Pernambuco, e no Ceará o crédito volante.

O SR. PRESIDENTE – Com a palavra o senhor Superintendente da SUDENE para uma explicação complemento.

O SR. SUPERINTENDENTE DA SUDENE – Apenas para uma explicação complementar. O projeto sertanejo considera o crédito essencial. Mas não considera que o crédito seja a única cousa necessária., quer dizer, a presença do crédito é uma exigência natural do projeto.Naqueles núcleos a que o Senador se referiu existirão técnicos, não para chegar lá com uma camioneta levando crédito volante, mas para chegar a permanecer, elaborar o projeto, levar eles mesmos ao Banco, trazer o crédito para o pequeno proprietário, trabalhar com ele como se ele fosse da irrigação. Este homem vai se associar às mesmas cooperativas, ter o mesmo apoio de modo que o crédito entra com toda naturalidade e com absoluta segurança, sendo mais do que crédito volante, presença total do Banco na área.

O SR. PRESIDENTE – Com a palavra o Secretário Paulo Lustosa da Costa.

O SR. PAULO LUSTOSA DA COSTA – Sr. Senador a minha interferência é exatamente face a colocação feita recentemente sobre o problema de crédito volante, e sobre a preparação da comunidade para receber problema desta natureza. Na implantação do programa de desenvolvimento rural integrado nós fizemos este tipo de trabalho, quer dizer, toda a comunidade no caso específico da área da Ibiapaba, tomou conhecimento de todos os benefícios, de todos os compromissos do programa rural integrado. Também quanto ao crédito nós iniciamos, aqui com o Banco do Nordeste, uma experiência piloto neste aspecto; dispensar-se-ia, considerando a cobertura das agências bancárias credenciadas, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Banco Nacional de Créditos Cooperativos, Banco do Estado do Ceará, face à cobertura destas agências e com o trabalho da área de assistência técnica, nós conseguimos montar um esquema em que o proprietário só iria, uma vez, ao Banco e já recebia o seu crédito. Fizemos funcionar isso na Ibiapaba, de forma piloto e com resultado bastante positivo.

Lido 1342 vezes Última modificação em Quarta, 13 Maio 2015 08:55