Luciara Silveira de Aragão e Frota

Luciara Silveira de Aragão e Frota

Autor: Luciara Silveira de Aragão e Frota

Terça, 09 Dezembro 2014 04:06

PECUÁRIA DO CEARÁ

Terça, 09 Dezembro 2014 03:58

A Ibiapaba do Séulo XVII

Quinta, 08 Janeiro 2015 01:40

LEDA MARIA PEREIRA RODRIGUES

A Irmã Leda que eu conheci

A Professora Doutora Leda Maria Pereira Rodrigues, irmã Leda como eu a chamava, para outros irmã Maria Ângela, em 18 de junho, nos precedeu na partida definitiva. Deixou-nos toda uma história de vida por contar toda ela marcada pelo seu papel de mestra, de religiosa fundindo-se numa vida plena de atos e de convicções políticas próprias.

Formada em Filosofia (Sedes-38), lecionou na graduação e no Programa de Estudos Pós-Graduados em História exercendo também os cargos de Diretora do Centro de Ex-Alunos e o de Vice-Reitora Administrativa na Gestão 1988-92. Idealizadora do Centro de Ex-Alunos considerava que nenhum deles poderia ser, na prática, um ex-aluno da PUC. A idéia de desenvolver o vínculo do ex-aluno com a Universidade estruturou-se como um feliz conceito de relacionamento numa idéia de integração desejada tal como vira em visitas a várias universidades estrangeiras. Atuante e inovadora em questões de grande importância social e política compreendia a comunidade de ex-alunos como fator importante da sustentabilidade da própria universidade. Lúcida, inteligente e politizada era ainda autora citada e festejada como produtora de um clássico: A Instrução Feminina em São Paulo. SP: Faculdade de Filosofia ‘Sedes Sapientiae’.

Nesse trabalho ela nos conta sobre o como as escolas particulares funcionavam “quase sempre na própria casa das professoras e mantinham algumas alunas internas. Nessa situação estava o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, dirigido por Da. Guilhermina Glotilde da Cunha e Silva e instalado em 07 de janeiro de 1848, à Rua das Flores, em Sorocaba.”

Os usos e costumes de então são minuciosamente descritos na sua pena de historiadora contundente. “O prospecto dessa instituição, diz ela, era um bonito impresso, muito convidativo e apresentava a possibilidade de 3 tipos de classes de educandas: internas, externas e semi-internas. As internas pagavam por mês 15$000, sendo incluído 'almoço, jantar, merenda, roupa lavada e engomada; e as semi-internas 8$000. Aquelas deveriam trazer: leito com colchão, roupa de cama, bacia, escovas de roupa, cabelo e dentes, pentes, bastidor, toalhas de mão, uma cadeira pequena e também um baú para guardar roupa.

O programa se particularizava em espécies de trabalhos manuais: 'renda de agulha de meia, costura, marcar, bordar a branco, matiz, prata, cabelo, missanga, froque; fazer flores de lã, seda, vidrilho e a fazer pulseiras, colares, anéis do mesmo material. Depois dessa apresentação persuasiva de variedades de 'prendas domésticas', a Diretora mandava imprimir: 'As alunas também aprendem a ler, escrever e contar. ‘Havia aulas de francês e de piano, mas eram extraordinárias.”

Durante o último quartel do século XIX ela ainda nos descreve no capítulo IX as contribuições de Rangel Pestana e sua esposa Damiana Quirino (p. 187-188), assim como o trabalho pioneiro de Martha Watts e Marie Rennotte na Piracicaba dos anos 1880.

Contudo, à parte, a constatação de sua trajetória profissional devo reconhecer que construída a partir de fragmentos da lembrança, essa análise sobre uma mulher sábia como a Irmã Leda, custou para ganhar vida no papel. Principalmente, lembrava-me dela quando ingressei na PUC-SP, ainda aluna do Curso de Doutorado em História da USP levada pelo Dr. Joel Martins com o aval da então coordenadora do Programa de Estudos Pós-Graduados em História, Professora Doutora Yvone Dias Avelino e dela mesma, Irmã Leda. Sempre me dizia que mesmo em aula expositiva, procurasse ver nos alunos exemplos de aceitação das diferentes dimensões da vida sócio-afetiva de cada um deles. Quero, pois assim, agradecer alguns dos seus parcos, mas excelentes conselhos. Ouvindo e dela indagando, colhi algumas opiniões que muito ajudaram a esclarecer, ampliar e construir modelos para os cursos de História Oral, os primeiros a serem ofertados em nível de pós-graduação em todo o Brasil com os títulos de Documentação Oral I e II. Escolhido o tema da monografia caso o aluno fosse usar entrevistas gravadas ia a preparar-se para a sua execução teórica e prática. Um pioneirismo da PUC-SP, sem dúvida.

Ainda agora, resulta-me numa incógnita como uma história de vida como a dela, vida de religiosa impecável e professora e pesquisadora competente, poderia não ter desejado participar, registrar suas impressões para a História da PUC-SP em testemunhos orais, projeto que ela mesma incentivava? Outros historiadores e profissionais de vários Programas, funcionários, ex-reitores e diretores da Pós Graduação como o Dr. Joel Martins sempre ficavam admirados em saber que ela não desejava falar nada sobre a sua história na PUC onde estava desde 1955 e onde permaneceu até 2008. Era quase uma comemoração envolver-se com a série de depoimentos orais sobre a história da Universidade. Os alunos empolgavam-se, festejavam. Até então, a história de vida da universidade, a infância da universidade não havia recebido a atenção especial e nem o advento dos novos programas com nomes valiosos como o da Dra. Aniela, dentre outros.

De qualquer forma, o status de educadora da Irmã Leda pode ser dado como resultado das suas virtudes e competência na execução de seus trabalhos. Noutras palavras, de sua vida significativa de pesquisadora séria e pouca afeita a elogios fúteis. Não é à toa que sua memória permanecerá ligada ao próprio nome da universidade que tanto amava.

Sem dúvida, era dona de uma personalidade rica em detalhes e inovações criativas guardando a fidelidade em relação a sua forma de ser e de pensar. Cuidava com desvelo do núcleo central de suas preocupações, a História, de alta significação para ela. Propunha-se sempre a colaborar pondo-se com disposição quase em seqüência ritual, ao dispor dos interesses da Coordenação. Sua presença tinha como um valor simbólico para o grupo que ali realizava os seus trabalhos evitando sempre maledicências e reprovações.

Assim, tive a oportunidade de observar que mesmo com todas as diferenças dentro do ambiente universitário onde encontramos diferenças formais entre os participantes de cada grupo, a sua figura era um diferencial. Com certa distinção, provavelmente decorrente de valores próprios a respeito da sinceridade de suas ações – fruto de sua religiosidade – e das relações de sociabilidade ela sempre era franca, direta, racional e objetiva.

Acode-me que o seu senso de pontualidade era quase sempre exemplar. Chegava sempre saudando a todos com um largo sorriso. Desfazia mal entendidos e, malgrado as diferenças sociais e culturais presentes em qualquer organização, sua opinião era dada sempre com frases marcantes e elementos de orientação mesmo que indireta.

Relembrando a sua figura esguia, em primeiro lugar, ao vê-la surgir rosada, corpo esculpido pela natação, tinha-se logo a impressão de uma saúde forte e de um espírito determinado.

Na conversa, que eu sempre procurava puxar, dava-se como o delimitar de uma fronteira de um ritual definido como um indicador do tipo: hoje ela tem tempo de falar e vai fazê-lo, ou não. Tudo dentro de uma ordem de afetividade, intimidade e da sociabilidade centrada no seu interesse pelo tema da conversa.

Assim, meio reticente, como preparando o ambiente para uma conversa, consegui satisfazer algumas das minhas curiosidades sobre, por exemplo, a vida fascinante da pedagoga e médica Marie Rennote. Até creio que se identificava com esse gênero de mulheres pioneiras e avançadas no seu tempo.

O jogo de claro/escuro que acompanha a vida necessita ser enquanto vida, um todo significativo. Em primeiro lugar, a vida é como uma vela acesa, que como elemento simbólico aparece em tantos outros rituais, como em cultos religiosos. A vela acesa é não só um símbolo do valor da vida, mas de esperança, fé e ressurreição.

A chama acesa significa a vida que se renova. A luz que se apaga significa um tempo inicial em que a vida, para os que têm fé se vai refazer. O relembrar a vida é um acender das luzes das recordações. Celebrar a vida da Irmã Leda Maria Pereira Rodrigues é uma esperança que se renova. O jogo de luz versus escuridão, clara alusão à dialética da vida e da morte, do fim e do inicio da vida é, ao mesmo tempo, a certeza oriunda da fé de que ela pode nos ver lá do céu, sua nova morada.

          O acervo do Centro de Pesquisas Históricas e Geográficas, instalado na Fundação Universidade Vale do Acaraú, em Sobral, dispõe de importante documentação necessária aos estudos que podem determinar as causas do que se convencionou chamar de decadência da pecuária na região e, em consequência, o seu atrofiamento econômico. A documentação facilita o estabelecimento de diretrizes para a instalação de um complexo econômico em função da pecuária e de seus derivados, e apresentar, ao final, sugestões de modelos de viabilidade para o desenvolvimento da área.

PROFESSORA LUCIARA SILVEIRA DE ARAGÃO – Responsável pelo convênio. Entrevista com o Deputado Federal Parsifal Barroso, dia 17 de Junho de 1976, para o Projeto de História Oral produto do Convênio da Universidade Federal do Ceará com o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. 

   A Metáfora do Sol é um dos últimos livros que integram a obra completa de Dimas Macedo. Trata-se de uma seleção de ensaios referentes a trabalhos publicados entre 1984 e 1989, alguns deles inéditos incentivando ao debate de estudos políticos e a crítica literária. Um livro de temáticas diversas unido pelo fio condutor de tentativas de compreensão de grandes temas como liberdade, justiça social, ideologia e política, história e memória. Um livro composto, na sequência, pelos Recortes Literários e Reflexões Políticas.

   O debate teórico do socialismo e o interesse pelo polêmico conceito de soberania e desenvolvimento são inovadores na mesma medida que se ligam à interdependência entre os estados.   O discurso ideológico do Padre Mororó, o sentido e o alcance da democracia devem ser lidos e refletidos concordes o pensamento do autor sobre a permanência do clientelismo político no Nordeste e a realidade da existência dos velhos e dos novos coronéis, alguma coisa símile ao verso e reverso de um cartão de embarque, que acaba de ser emitido. O livro apresenta como cenário visões parciais da Terra do Sol onde os temas tocados pelo autor são preocupações no meio universitário brasileiro onde se percebe a mistificação ideológica e a necessidade de libertar a literatura do processo de escamoteação do real, reforçada pelo não reconhecimento de sua inserção no lócus social.


Este sem dúvida foi um livro que me surpreendeu muito, e figura entre um dos melhores ensaios de nossa historiografia que já tive oportunidade de ler. Eu já havia lido do poeta Dimas Macedo A Distancia de Todas as Coisas (1980 3 ed. 2001). Mas sem dúvida alguma, A Metáfora do Sol superou minhas expectativas. Acredito que o interesse do leitor é captado em cada linha, pois é solicitado a envolver-se direta ou indiretamente na temática.

Mas a surpresa da leitura não para por aí. Querem saber por quê? Outro detalhe de relevância nos livros de Dimas Macedo, e que não poderia faltar neste aqui, é o uso de uma linguagem provocativa muito real, propondo uma reflexão exposta na sua trama, na prosa e na poesia. Ela pode ser tecida de forma que a realidade da observação pode ser encontrada no nosso próprio cotidiano. Ou seja, há elementos que nos fazem pensar, divergir, contradizer, mas o autor não nos deixa indiferentes ao que escreve.

 Um bom exemplo em A Metáfora do Sol é o capítulo sobre a Literatura Feminina Cearense- Introdução. É o tema abordado no livro quase de forma pioneira onde ele nomeia algumas literatas - agradecendo aqui ao autor o obséquio de citar-me- mesmo sem especificar tantas mestras e doutoras cearenses formadas no Brasil e no exterior. A educação superior no país, e toda a dificuldade que pode haver por trás das instituições de ensino e das próprias carreiras de cada uma delas fica à imaginação do leitor. Mas, com certeza, um dos pontos altos do livro é a fundamentação de qualidade e conhecimento do assunto, mesmo com os necessários cortes parciais dos temas elencados. As condições de marginalidade no domínio da arte literária e o esquecimento  de algumas obras e autores que deveriam integrar o rol de nossas lembranças é tocado de forma muito sutil. Considero mesmo que de certa forma, é inusitado entre nós E muitos de vocês irão se surpreender com o final de alguns capítulos o que tornou a leitura mais agradável e envolvente. O fato da abordagem de vários assuntos, ao contrário do que se possa pensar deixou o livro bem interessante e mais convidativo para a sua utilização prática em trabalhos de pesquisa.

 

A Metáfora do Sol: Ensaios e Reflexões. 1984-1989 em 5ª edição foi impresso em Fortaleza pela Expressão Gráfica Editora e tem 148 p.

 

Sexta, 08 Maio 2015 01:22

História e Cultura de Massa

Resumo

A multiplicidade das obras literárias e científicas e o excesso de informações da Cultura de Massa levam o Historiador à necessidade de apurar a crítica como auxiliar na evolução de um processo fidedigno de avaliação. Processo destinado a mensurar não só a sua produção e a que lhe chega às mãos, mas a crítica imprescindível à preservação da dignidade de sua tarefa. Como leitor ou como estudioso, faz parte de seu mister a análise do seu tempo e do seu momento, como forma de inserir-se adequadamente ao momento histórico vivido, utilizando o ato crítico que convoca o mesmo uso dos processos mentais do ato de criação. A Cultura de Massa, nossa contemporânea trás certa complexidade e certa perplexidade, mas, não nos esqueçamos, a busca da verdade histórica parte do resgate da evidência como ponto básico e referencial.

Segunda, 09 Março 2015 05:52

Popular Medicine in the Northeast of Brazil

 

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