Quarta, 03 Abril 2013 20:09

O Novo Livro de Frota Neto: O Jornalista & o Poder

 
Avalie este item
(0 votos)

A liberdade de imprensa, após 21 anos de autoritarismo e silêncio, foi restaurada, na prática, em abril de 1985 quando os/as jornalistas saíram da ignominiosa calçada do Palácio do Planalto e pisaram dentro da sede do Poder, então como cidadãos e não mais como reféns. Recuperava-se o direito de questionar, criticar e confrontar a grande esfinge governamental, através da imprensa livre.

Sucessor de Tancredo por direito e pela mão torta do destino, Sarney levou ao Palácio, naturalmente, sua equipe de imprensa. Inicialmente, Fernando Cesar Mesquita que peitou a “abertura dos portos” e, depois que este se retirou para outras funções, o jornalista Frota Neto, em janeiro de 1987. Uma diferença histórica entre ouvir o “corta voz” dos militares ditando informações no “portão” e dezenas de profissionais credenciados “dentro de casa”, no Comitê de Imprensa Tancredo Neves.

Cortês por natureza e democrata por convicção, Frota Neto inaugurou uma prática de relações democráticas Imprensa e Poder que, dificilmente, ainda hoje, o espírito stalinista contraventor de certas alas do governo lulopetista conseguirá reverter.

Nesta última 2.ª feira, em recepção organizada pela jornalista Edit Silva no Espaço Cultural Ecco, aqui em Brasília, Frota desembarcou do exílio dourado em Berna-Suíça para abraçar mais de uma centena de convidados jornalistas/amigos e entregar-lhes o livro “O Jornalista & o Poder” (Ed. Rígel). Entre eles, Luiz Fernando Beskow e o queridissimo e hoje octogenário José Henrique Nazaré, o “Very Well”, ícone do servidor público palaciano migrado do Rio para Brasília.

Seu livro preenche lacuna na historiografia política da redemocratização. E narra eventos relevantes, como sua entrevista ao Estadão onde “rasga o verbo” sobre as relações tensas entre o presidente Sarney e o “condestável” da República Ulisses Guimarães. Ou tragicômicos, como a disputa entre o ministro da Justiça, Paulo Brossard e “Frotinha” pela hegemonia na antiga EBN. O gaúcho subestimou o rijo cearense de Ipueiras.

Lido 751 vezes Última modificação em Domingo, 24 Maio 2015 13:10
José Roberto

Jornalista