Quinta, 04 Abril 2013 01:12

Conflito na Ossétia do Sul: Questão de Conveniência?

 
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O conflito da Ossétia do Sul em efervescência desde março último, está no foco da manutenção de uma forma de estabilidade controlada norteando as relações russo-georgianas desde o acordo firmado em 24 de junho de 1992.

O ataque georgiano a Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, em 8 de agosto, transformou um conflito provável, em guerra intensa entre representantes das duas nações gerando conseqüências indevidas à segurança da Europa.

O problema  está ligado  não  só a proteção da cultura nacional da Ossétia do Sul,como querem alguns, mas  aos negócios locais do auto-proclamado Eduard Kokoity o qual,  embora não reconhecido como presidente do regime da Ossétia do Sul tem de fato, o exercício do poder. Curiosamente, esses negócios atendem aos interesses geopolíticos da Rússia e trazem benefícios à Geórgia, a Europa e ainda aos Estados Unidos. Na prática, isto acontece porque a Ossétia do Sul que faz parte da Geórgia desde o século V, proclamou a sua independência, em 1991 e revelou-se uma boa fonte de renda para Eduard Kokoity.  No caso, o Túnel Roki, a única passagem de fronteira para a Ossétia do Norte, que pertence à Rússia, constitui-se numa clara evidencia de deslizes. Como rota de contrabando conhecida e utilizada, a passagem tem controle dividido por Kokoity e pelas “tropas de paz” da Rússia.

O fornecimento de tropas de paz russas não representa uma surpresa e a ingerência leva a griffe de Vladimir Putin. Tropas russas foram enviadas também para a Abkházia, a outra região georgiana que anseia por independência. O envio da frota do Mar Negro à Abkházia, o forte bombardeio das cidades da Geórgia como Poti e Gori e de uma fábrica de aviões próxima à cidade de Tbilisi, capital do país, são demonstrativos da potencial escalada deste conflito. Todos,elementos evidentes também de como uma Rússia pretensamente desinteressada age quando se trata de cumprir o seu papel de potência mantenedora da paz.

Como pano de fundo, a Rússia deseja ainda impedir a entrada da Geórgia na OTAN- Organização do Tratado do Atlântico Norte. Ainda, enfraquecer e derrubar  presidente Mikhail Saakashvili, que deu início a esta política de inserção e definição de um papel com maior independência  para o seu país. Ao mesmo tempo, ficou exposta a fragilidade do presidente russo Dmitri Medvedev e dos seus discursos sobre a importância da proteção das leis internacionais. Dos acontecimentos, um claro resultante: a liderança, poder e autonomia do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

Lido 828 vezes Última modificação em Domingo, 31 Maio 2015 23:51