Quinta, 04 Abril 2013 00:59

Lua de Mel com Barak Obama

 
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 O panorama mundial no advento do governo Obama não parece promissor. Questões urgentes como a crise econômica internacional, a crise política no Oriente Médio, temas como terrorismo e Afeganistão, pedem ao novo presidente trabalhar num cenário móvel e instável.

 

Do equilíbrio e sabedoria de medidas dependem não só o sucesso pessoal do presidente, mas a solução de uma dificuldade interna como a manutenção da maioria democrata do governo no congresso. Dentro de dois anos as novas eleições norte americanas darão, ou não, a continuidade da lua de mel com o presidente. No caso específico, a firmeza presidencial na condução da crise econômica deverá encaminhar o aumento de suas expectativas favoráveis.

O novo presidente sobe à luz de expectativas favoráveis e fortes esperanças de amplas mutações, tanto interna como externamente. Tudo favorecido pela multiplicidade de erros relativos do governo Bush. Digo relativos porque um julgamento imparcial não é possível fazer do ponto de vista da História, processo sempre em mutação. Inútil que alguns evoquem na elevação midiática de Obama a idade do jovem presidente. Ninguém esquece que a equipe de Clinton, alguns dos quais, auxiliares no governo Obama tem cerca de 60 anos. O cerne da impopularidade de Bush é que tratou mal os aliados e os americanos tem em súbito a impressão de que uma mudança de imagem, que a vitalidade de Obama é a mesma do país conjugando a força da reinvenção.

Na realidade, sua popularidade depende de que a crise econômica tenha uma solução favorável pelo menos a médio prazo. Alguns economistas acham que a crise, numa visão otimista tende a melhorar no segundo trimestre desse ano e até 2010 essa economia de 13 trilhões de dólares, uma economia, de fato gigante, será posta a girar numa engrenagem azeitada e promissora.

As idéias do novo governo inovando em banda larga nas escolas envolvem também a idéia de marketing de que a tecnologia tudo pode melhorar. Outro ponto positivo é que dá força à ecologia procurando ver o futuro do mundo como um todo. Contudo, a chave do seu sucesso deverá ser um desenlace feliz para a questão econômica. Não antes da segunda metade desse ano deverão vir às melhoras esperadas pois tudo depende da estabilidade dos bancos e do crédito.

A controversa política externa norte americana abriu vários fronts. Temos a invasão de Gaza com perspectivas tumultuadas. A paz no Oriente Médio parece cada vez mais distante. Não é segredo que a política de Bush sempre priorizou Israel. Assim, espera-se uma melhora nas relações com o mundo muçulmano em meio a tantos desafios como unir Fatah e Hamas, abrir-se a Síria, conversar com o Irã, não em grupo, mas em particular... Sabemos todos que os Estados Unidos seguem sendo a primeira potência, contudo não mais de forma hegemônica como antes.

Na sabatina no Congresso, Hilary Clinton falou em estabelecer um diálogo com o Irã. O novo cenário internacional de guerra requer que se trate, de forma individual com o Iraque e com o Irã. Não mais enviados especiais com objetivos de diálogo simultâneo com esses países, por exemplo. Fazem-se necessárias conversas individuais. Obama, como candidato, dizia que iria conversar com o Hamas. Hilary que se diz e várias vezes repetiu ser pragmática parece esperar. Os iranianos não se apresentam muito inclinados a simpatias com Obama ou com os Estados Unidos.  Mesmo antes da posse, populares iranianos queimaram fotos de Obama e não têm uma idéia positiva dos Estados Unidos.

Temos no fundo um choque de interesses. A política externa Iraniana tem interesses específicos no Iraque e no Afeganistão, sem esquecermos que o Irã é o poder emergente no Oriente Médio. Portanto, o bom senso exige como prévia, um enviado diplomático especial. Uma alternativa para a política externa de Obama, e que aliás parece ser a única, é a ruptura com o unilateralismo. Obama tem que admitir os novos centros emergentes de poder e de riqueza, tais como o Golfo, Brasil, Rússia, China e o próprio Irã. Uma questão que se levanta é que esses países não tomaram a si suas responsabilidades relativas a sua própria importância para o futuro do mundo. O novo século começou mal com o 11 de setembro colocando a política externa de  Bush em cheque. Tudo mudou com o 11 de setembro, sem dúvida, daí os simpatizantes da doutrina Bush levando-se em conta o primeiro grande ato terrorista dentro do território norte americano.

O primeiro ato de política externa do governo Obama, fechando Guantânamo, foi propriamente factual. Uma pergunta se coloca, após um ano, o que fazer com os  seus prisioneiros? E aprofundando a questão, o que fazer com a guerra no Afeganistão? A responsabilidade do novo presidente é muito grande, diante dele desdobra-se à política dos direitos humanos que ele aparenta respeitar. Contudo, qualquer ataque aos norte americanos, dentro ou fora nos Estados Unidos, fará com que seja acusado de leviandade e negligência.

No que diz respeito propriamente a América Latina, temos que o novo presidente nada conhece. No caso brasileiro, especificamente, Hilary Clinton tem relações aproximadas com o governo Cardoso o que suscita uma certa ansiedade no Itamarati, mas não se pode negar que os Clinton estão mais bem preparados para lidar com a América Latina. A hipótese de um desequilíbrio nas relações entre Lula e o novo presidente parecem pouco prováveis. Com relação à Venezuela, Chaves parece mais fraco com a queda dos preços do petróleo e ainda porque  junto com a Bolívia poderá, em tese, desagradar os Estados Unidos com a sua política de desaprovação explícita a Israel. No caso, os Estados Unidos deverão manter-se fiéis  aliados desse país.

Na verdade, a continuidade da  lua de mel vai depender da equação de uma série de fatores tanto  internos como externos...

Lido 975 vezes Última modificação em Sábado, 23 Maio 2015 21:29