Quinta, 04 Abril 2013 00:55

A Guerra Diária

 
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"As agências noticiosas vendem para jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão informações sobre fatos nacionais e internacionais. Boa parte são empresas jornalísticas devidamente estruturadas, com redações e outros departamentos comuns à atividade, mas sem veículos próprios. Algumas, como a France Press e a Reuters, têm clientes – e público, portanto – no mundo todo.

Em rápidas palavras, é essa relação comercial faz que chegar aqui, por tecnologias várias, notícias sobre política, economia, esportes, segurança pública, moda, cultura, saúde e outros assuntos do Brasil e de outros países. Notícias sobre a guerra, também. É nesse ponto específico que quero colocar o foco desta Coluna. Afinal, não há nada que vincule os princípios editoriais, filosóficos, ideológicos e empresariais das agências de notícias aos de quem paga pelo material que oferecem e o publica.

Em um conflito como o que envolve hoje os Estados Unidos e o Iraque, ganham relevos mais nítidos as convicções das agências. As principais seguem uma ótica que se convencionou chamar de wasp (sigla em inglês para branca, anglo-saxônica e protestante, a base dominante da cultura norte-americana), expandida por toda a nossa civilização ocidental, cristã e capitalista. É natural, ressalte-se, levando em conta, sobretudo, que essas empresas são constituídas de acordo com os conceitos desse meio. Têm, assim, a mesma leitura de mundo que tem um dos pólos do confronto. Do outro lado, sabe-se que é oriental, mulçumano e socialista – pelo menos é esse o fundamento teórico da economia sob Saddam Hussein. São dois mundos absolutamente diferentes, separados por conceitos e preconceitos, valores, conveniências e crenças. E por uma guerra que desde o nascedouro é questionada.

O enfrentamento de Bush e Saddam não é uma luta do bem absoluto contra o mal absoluto, como pinta o governo dos Estados Unidos e repetem algumas agências. Não é uma correlação maniqueísta, mas um complexo jogo no qual interesses políticos se submetem a estratégias comerciais. À imprensa, assim, está imposta a missão de mostrar quais as regras os jogadores seguem, buscando a isenção máxima e o respeito à diversidade. Não se acusa aqui todas as agências de estarem integradas a um esforço de propaganda de guerra, mas é certo que uma parcela não reflete com precisão a violência de um conflito em que um dos oponentes é o poderoso Tio Sam. A produção local tem sido uma solução eficiente para se contornar a ditadura das agências de notícias. Já faz alguns anos que O Povo investe em matérias sobre assuntos internacionais feitas por sua Redação. Mais do que isso. Traz semanalmente artigos da professora Luciara Aragão e tem uma coluna, ‘Mídia pelo Mundo’, publicada aos domingos. Faz, desse modo, um contraponto à cômoda postura de alguns veículos de simplesmente repassar aos leitores o que compram das agências.  Pode ser que ainda não esteja aí a fórmula final, pronta e acabada, mas é certo que isso tem significado ganhos para os leitores.

Fonte: O POVO - Internacional

Lido 1048 vezes Última modificação em Sábado, 23 Maio 2015 21:31