Quinta, 04 Abril 2013 00:20

A Rainha dos Maxabombos

 
Avalie este item
(0 votos)

RESUMO: Com toda a boa vontade e estupidez, criamos um território praticamente estrangeiro em área que outrora fora sacrossanto território nacional.

 

Rainha dos Maxabombos? Que é isso?, perguntarão os leitores. Será alguma rainha de uma nova escola de samba? Não, mas tem a ver com a nova Reserva Montanha Raposa do Sol, em Roraima.

A Rainha dos Maxabombos de fato existiu. Apareceu em 1884, na África, na Bechuanaland, depois chamada Rhodesia, que naquele ano tornou-se propriedade da British South África Company. A antiga Rhodesia está divida hoje, passando a ser os países de nome Zâmbia e Zimbábue.

Em 1884, tendo assinado um “tratado de proteção mútua” com a Rainha dos Maxabombos, o Governo Britânico invadiu aquela área, a fim de “proteger” aquela senhora aliada. Surprise! Surprise! A dita região, até então portuguesa, possuía os mais ricos depósitos de diamantes no mundo, comparáveis aos das fantásticas minas de Kimberley, na África do Sul. Evidentemente, os portugueses não sabiam da existência desses depósitos.

A invasão inglesa fora manobrada por Sir Cecil Rhodes. Este senhor já fizera sua fortuna com as mencionadas minas de diamantes Kimberley e passara a cobiçar os depósitos diamantíferos no território português, ao norte. A companhia de Sir Cecil Rhodes seria mais tarde consolidada com o nome De Beers Consolidated Mines Company. Esta ainda hoje controla praticamente todo mercado de diamantes no mundo.

Como já dito, anteriormente aquela região fora portuguesa. Ou seja, o navegador lusitano Fernando Pó a descobrira, ainda no século XV. Os portugueses então colocaram ali pequenas “fatorias” ao longo da costa e lá ficaram até 1884. Limitaram-se, porém, a apenas negociar com os nativos, no comércio de escravos e produtos da terra. Efetivamente não ocuparam o interior da colônia, visto que Portugal não possuía suficiente população para realmente colonizar todos os territórios que descobrira, em todo o mundo.

Na década de 1880, pressionadas pela nova e recém-unificada Alemanha, que tardiamente entrava na competição imperialista colonial, as potências européias assinaram um tratado, na Conferência Internacional de Berlim, dividindo entre si mesmas todas as terras ainda “não efetivamente ocupadas”, em todo o mundo, especialmente as da África. À Alemanha coube a Costa dos Camarões que passou a ser chamada de Kamerun. A Grã Bretanha imediatamente assumiu a Bechuanaland, tendo para isso assinado o já mencionado “tratado de proteção mútua”, com a desconhecida “rainha” dos desconhecidos maxabombos, dando-lhes o direito legal de assim proceder.

Os coitados portugueses protestaram, alegando ser deles aquela terra que os ingleses ocuparam. Houve passeatas de protesto em Lisboa, Porto e outras cidades. As propostas feitas pelos patriotas portugueses ao governo português, para efetivamente ocupar a região, chegavam a ser ridículas. Faltava gente em Portugal para tamanho empreendimento. Os britânicos ignoraram os argumentos lusitanos. Alegaram que os portugueses, cada vez que se pediam provas de estarem efetivamente ocupando algum território, apenas apresentavam “provas arqueológicas” de que tinham estado lá, mas não de que naquele momento efetivamente ocupavam a área.

Quando o protesto português tornou-se incomodativo demais, com ameaças ao comércio do vinho do Porto e às importações inglesas, os britânicos, que há pouco tinham bombardeado Alexandria, no Egito, mandaram uma belonave para a costa de Portugal. Isso foi suficiente para que os lusitanos se calassem e entrassem em entendimentos com a Grã Bretanha. Os ingleses gargalharam. Seus jornais não se cansavam de ridicularizar o medo dos portugueses que se renderam à presença de uma simples belonave inglesa.

“Covardia!” gritavam os portugueses patriotas mas ninguém os ouvia em Lisboa. A Bechuanaland passou a ser chamada Rhodesia e efetivamente tornou-se propriedade do inglês Sir Cecil Rhodes, conhecido como “o rei dos diamantes”.

Há uma grande similaridade entre a questão da Rhodesia e a da Reserva Montanha Raposa do Sol, em Roraima, que sob pressão estrangeira foi agora formal e legalmente declarado território indígena, pelo governo brasileiro. Não é difícil ver a semelhança entre o que ocorreu na África, na década de 1880, e o que ocorre no Brasil de hoje.

É necessário primeiro perguntar: a quem interessa alienar esse território nacional? A resposta é a de sempre: às ONGs. Essas organizações misteriosas, americanas e européias, têm agora condições legais de assumir a “defesa” dos chamados “povos da floresta” naquele novo território. Quantos seriam esses povos da floresta na mencionada reserva? Contando todas as diferentes tribos e etnias ali presentes, sabe-se que esses chegam a apenas 14 ou 15 mil pessoas, a quem é doado um território do tamanho do Estado de Sergipe!

Pergunta-se ainda: por que estrangeiros envidariam tantos esforços e colocariam tanta pressão no governo brasileiro, para alienar exatamente áreas de concentração de riquíssimos minerais, como o estanho, ouro, pedras preciosas, e acima de tudo minerais estratégicos, como o nióbio? O Brasil detém 75% dos depósitos mundiais de nióbio, concentrados especialmente naquela região. Este metal é utilizado na carapaça dos mísseis intercontinentais e nas naves espaciais, dando às mesmas a resistência necessária às grandes pressões e ao calor causados pela fricção atmosférica. E aí está uma boa indicação das várias razões do grande interesse dessas ONG’s, financiadas e administradas só Deus sabe por quem.

Pergunta-se ainda: quem será o Cecil Rhodes do presente século que está de olho nessas riquezas brasileiras? Mais ainda: de que maneira esses interesses alienígenas descaradamente se apoderarão desse riquíssimo botim?

Como já visto, o modelo de invasão de territórios não efetivamente ocupados foi montado na África pelos europeus, na década de 1880. Esse depois foi imitado, muitas vezes, pelos norte-americanos no México, América Central e Caribe, especialmente no caso dos índios misquitos, da América Central.

A metodologia é simples: cria-se um governo fictício de “nativos”, que solicita o auxílio de uma potência estrangeira. Esta imediatamente vai ao socorro do “aliado”. Dita metodologia, como aplicada nas mencionadas regiões do Hemisfério Norte, foi muito bem estudada por Lester D. Langley, em seu livro intitulado The Banana Wars, infelizmente ainda não traduzido para o português.

Com a criação do território indígena da Reserva Montanha Raposa do Sol, o governo brasileiro se afastará daquela região, por obrigação legal, levando consigo tudo o que há de “brasileiro”: os militares que a protegiam e mantinham a ordem local; os fazendeiros que estavam desenvolvendo sua agricultura; os serviços de saúde – por mais precários que tenham sido – e tudo aquilo que a nação brasileira fornecia, ou efetivamente deveria fornecer. Estabelece-se então um vácuo de poder em um território de fronteira. Em retorno - e em exercício de futurologia - é de se imaginar que as ONGs logo se encarregarão de criar um “governo indígena” naquela área – só Deus sabe como, pois são tribos distintas e até de etnias e de línguas distintas. Esse novo “governo” será uma versão hodierna da “Rainha dos Maxabombos”, da antiga Rhodesia, que alegadamente pediu socorro aos ingleses, contra um perigo que não existia. Tal governo indígena terá então condições de apelar para a ONU, ou algum país estrangeiro, que alagremente assumirá um protetorado sobre essa região de fronteira.

Destarte, com toda a boa vontade e estupidez, criamos um território praticamente estrangeiro em área que outrora fora sacrossanto território nacional. As riquezas ali existentes poderão então ser levadas para o exterior, sem que o Brasil tome conhecimento do que ocorre, ou mesmo arrecade os impostos devidos. A “Rainha dos Maxabombos” finalmente reinará mais uma vez, agora em território tupiniquim. Quem viver verá.

Pesando bem: está aí um bom tema para um desfile de escola de samba no carnaval de 2006: A Rainha dos Maxabombos! “Joãozinho Trinta” bem que poderia tomar conhecimento dessa sugestão.

Lido 1328 vezes Última modificação em Terça, 26 Maio 2015 21:27
David Gueiros Vieira

PHD em História da América Latina, Mestre em história dos Estados Unidos da América, conferencista e um dos maiores especialistas brasileiros em História da Questão Religiosa do Brasil.