Sábado, 29 Novembro 2014 15:03

Adolescentes, Aborrecentes ou Delinquentes?

 
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Avenida Paulista. Símbolo de São Paulo. Palco da violência de quatro jovens, detectados pelo sistema de câmara de seguranças. Apenas, um deles, atingiu a maioridade civil. Todos os demais, menores de idade. Em suma: 1+3 = 4, que é igual uma quadrilha.

 

Quadrilha de jovens malfeitores, defendidos publicamente por pais de igual naipe, sob protesto contra aqueles que criticavam a conduta faltosa de seus filhos, por entenderem que se trata de travessuras da idade. E, no ânimo da defesa, decretam que agressores e agredidos são todos crianças. São todos adolescentes.

E eu me pergunto: que crianças, que adolescentes são esses que dormem fora de casa?

Que crianças são essas que em tão tenras idades estão freqüentando à noite, fazendo "via-crucis" entre uma balada e outra? Quem propicia altas "mesadas" a permiti-los gastos dessa natureza, se não seus próprios pais? E porque liberam esses recursos, se não para compensarem que são pais ausentes? E, assim, esses omissos genitores tornam cada vez mais válidos a máxima”: “ cada pai, tem o filho que merece”.

E os pais liberais dessas "criancinhas" por descuidarem deles, suprem a ausência com exagerados mimos, porque é mais confortável do que se incomodarem no dia a dia a dedicarem um pouco de tempo aos seus filhos. Assim, os próprios pais transmudam essas crianças aborrecentes em verdadeiros delinqüentes, como é o caso ora em comento e que dá origem a essa crítica.

A imagem da violência propagada via internet e TVs explicitam a inexistência de provocação por parte dos agredidos. Muito ao contrário. Foram, surpreendidos, com lâmpada de neon, brutalmente atirada, por repetidas vezes, no rosto e na cabeça, causando graves danos pessoal, material e moral. Notória tentativa de homicídio.

A brutalidade do ato é indefensável, e, desmerecem, em especial, a pública defesa de seus pais de que se trata de crianças. Crianças, homicidas? Pais defensores da brutalidade de seus filhos é que tem propiciado a repetição de fatos dessa natureza.

Vimos no passado, crianças ricas ateando fogo em índio, por pensar que era mendigo!!!. Outras, agredindo empregada doméstica, porque pensaram que era prostituta. Agora, porque acreditaram tratar-se de "gays"! Onde estamos? Que índole maligna é essa? Que falta de noção do bem e do mal e da ausência de Deus a nortear a educação dessas feras humanas que não respeitam os semelhantes, independente de cor, raça, religião, opção sexual?

Aos monstrinhos da Paulista foi aplicada levíssima penalidade. O maior está com prisão decretada. Aos demais foi ordenado internamento na unidade da FUNDAÇÃO CASA, por 45 dias, por serem menores de idade e como tal, estão acobertados pelo manto do Estatuto da Criança e do Adolescente. Dois se entregaram. O terceiro continua foragido. Sabe-se lá se acobertado pela saia da mãe ou proteção paterna. Pais, esses que não se atentam que naquela mesma noite suas insanas "crianças" já haviam espancado as 03 h, um cidadão na Av. Brigadeiro Luiz Antonio e as 04 h horas, repetiam a monstruosidade agredindo terceira pessoa numa festa na Avenida Ibirapuera.

Crianças bem criadas, muito antes desses tardios horários estão em casa, dormindo, sob a benção do teto familiar. Portanto, como tratar como crianças, esses perversos pirilampos, que, ao contrário do inseto, frustaram-se pela ausência de luz própria e buscaram em uma lâmpada de neon o brilho da perversidade?

Na verdade, não são crianças, nem adolescentes, e, tão pouco aborrecentes.

Pode soar pesado, mas, a esses jovens monstrengos, desprovido de conteúdo, nada há que lhes aproveite. Se não forem socorridos urgentemente com bons exemplos, prosseguirão repetindo a mesma conduta, pois, até aqui, mostraram apenas que não são nem adolescentes e nem aborrecentes, mas, verdadeiros delinqüentes.

Lido 1319 vezes Última modificação em Terça, 26 Maio 2015 19:03
Vera Ligia Carli

Advogada e escritora.