Quarta, 24 Setembro 2014 16:24

Exemplo de Segurança Pública

 
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Revi o Chile. Um encanto de lugar! Contemplei o branco véu de sua noiva, a Cidade de Santiago, com diadema perolado pela transmutação do gelo das cordilheiras – em coroa – a ornar sua fronte. Estava belíssima!

 

Em sua malha, descobri além da beleza, colírio para os olhos, uma outra visível apenas aos olhos dos corações sensíveis: segurança, educação e deferência ao visitante!

Surpreendi-me, por vezes muitas, com a suave parada dos veículos respeitando o deambular de pedestres atravessando as ruas e avenidas. As paradas eram sempre acompanhadas de educados gestos dos guiadores, como a dizer: “senhor pedestre, os meus respeitos, a preferência é sua”. Que esmero! Era uma constância! O chileno, via de regra, não atravessa fora da faixa de segurança para transeuntes. Sem palavras ou gestos força-nos a seguir o exemplo.

Aproximei-me de um carabineiro – policial militar chileno- e impressionou-me a lhanura no tratar, sem perder o ar de autoridade; a impecabilidade da farda; a postura garbosa a transparecer a influência germânica, na formação! A auto-estima saltava-lhe dos olhos e estufava-lhe o peito! A serenidade convidada ao diálogo que logo iniciei.

Sente orgulho de ser carabineiro?

- Muito. Os carabineiros constituem a organização mais acreditada do Chile. Mais respeitada que a igreja e o governo!

- O chileno é educado? Numa escala de um a dez, qual a nota para o povo chileno?

- Muito. Muito educado!

Sem titubear, com muita segurança, firmeza, humildade e respeito, deu nota : oito.

Por que humildade e respeito? Por não dar a nota máxima: humildade. Por dar nota alta: respeito a seu povo.

Voltei à carga: Considera o brasileiro um povo educado? E qual a nota?

- Muito. Sem comentário. Nota seis.

Sem rodeio. Com segurança, mas convenhamos com muito cavalheirismo.

Mostrou-se-me muito educado. Não feriu minha sensibilidade. Respeitou meu povo, sem desrespeitar o seu, que considera mais educado que o meu! Senti que era sincero.

Pus em xeque sua sinceridade: teria um filho para ser carabineiro?

- Com orgulho.

- Ganha bem?

- O suficiente para ter uma vida digna e valorizar meu trabalho.

- Há corrupção na Polícia Carabineira?

Enrubesceu. A educação não lho permitiu o dedo em riste mas, em semi-riste, apontado para cima e movimentado – em pêndulo – para a direita e para a esquerda: não, aqui não há corrupção. Nas Polícias de ... (citou as policias de três países da América do Sul, mas não citou a do Brasil) há corrupção. Aqui, não!

Foi educado e elegante, mostrando preparo. E emendou: ser carabineiro é um orgulho!

A esta altura, parabenizei-o e me apresentei como Coronel da Policia Militar do Ceará – Brasil. Surpreendeu-me novamente: olhou-me nos olhos, elevou a mão à fronte em continência militar. Senti-me, não sei se cavaleiro, diante do luzir do elmo de meu “hermano, carabineiro”. O cumprimento foi repetido por um outro que viu a cena.

Perguntei ao segundo carabineiro: que diz da segurança pública do Chile?

Enfático, respondeu como numa poesia:

“La seguridad, em Chile, é prioridad! No que Chile sea um país peligroso, pero si para que el pueblo chileno se sinta seguro”!

Exemplo-recado para governantes brasileiro, pensei. Que exemplo de Segurança Pública!

Senti clarividentemente que o que sobra na Polícia Chilena e falta na nossa é: adequada seleção psicológica, treinamento, condições dignas de vida e saúde, segurança para sua família, auto-estima e valorização profissional. O código-de-honra se impõe naturalmente quando o homem se sente honrado!

Com tosco portañol me despedi: “Chile, la tierra Del frio... del corazon caliente, hasta la vista”.

Lido 632 vezes Última modificação em Terça, 26 Maio 2015 20:20
Nonato Soares de Castro

Odontólogo, militar e escritor