Terça, 23 Setembro 2014 10:01

Radicalização da Democracia

 
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 Historicamente, o termo Radicalismo foi introduzido pelo deputado  Charles James Fox,  na Câmara dos Comuns  Britânica  no ano de  1797  em pleno período da  Revolução Francesa.  Exigia-se, naquele momento,  uma reforma radical, nas  palavras dele, o sufrágio universal. Então, no Reino Unido o sufrágio era limitado somente aos  grandes proprietários. Os Radicais Ingleses integravam  a ala esquerdista do Partido Whig ou Liberal e inspiravam-se na obra de John Stuart Millque defendia que a validade das ações  medi

 

O Radicalismo propriamente dito é uma variante do Liberalismo que prega o reformismo de choque e a revolução social. Foi uma força política importante da esquerda Européia no século XIX. É, contudo, anticlerical e antinacionalista e prega a tomada do poder pela Revolução, uma república sem classes e não o modelo da revolução russa. É ainda opositor do liberalismo que prega reformas por vias constitucionais, ao conservadorismo a as tradições, mas não atua como o mercado e não assume medidas econômicas como o marxismo.

Do ponto de vista do seu  conceito , o  radicalismo tem suas raízes nos finais do século XVIII e inícios  século XIX durante Revolução Francesa,  com o surgimento das propostas de que o comportamento jacobinista de determinados grupos deveria ter como objetivo  combater pela raiz as anomalias sociais por meio da implantação de reformas absolutas. Podemos também examinar o Radicalismo no seu sentido filosófico o qual,  pode ser definido como uma” política doutrinária reformista que prega o uso das ações extremas para gerar a transformação completa e imediata das organizações sociais”.

Á época da monarquia brasileira, por exemplo, eram radicais os republicanos que desejavam a sua queda e com ela mudanças como os fins dos privilégios da Igreja Católica, educação primária para todos, sufrágio universal. Pelos seus pressupostos identificavam-se com o Partido Radical Francês.

Modernamente, seus simpatizantes, foram atraídos para Partidos Sociais democratas e socialistas identificando-se com o centro. No Século XIX os partidos radicais eram muito atuantes, além da França, na Itália e na Espanha e esforçavam-se por medidas sociais igualitárias. Contudo, alguns dessas idéias foram absorvidos pelo surgir do marxismo.

Chamados por alguns de neomarxistas, algumas falhas podem ser apontadas na chamada radicalização. Refiro-me, basicamente ao esquecimento de que os nossos antepassados e as sociedades onde viveram  obedeceram  a uma ordem espontânea e surgida   pela   virtude dos  seus usos e costumes, e utilizando-se da auto-organizaçao dos seus elementos. Todos nós, seres humanos, não podemos dispor de meios  ilimitados para reorganizar e esquematizar a vida dos indivíduos. A esta face de radicalismo vale lembrar e reafirmar a necessidade de uma certa lealdade às normas, tradições e instituições que, esses mesmos seres humanos, foram,  pouco a pouco,  como num processo de decantação, incorporando ao longo do  processo histórico.

   As evidências de civilização são, na verdade, algo da  tradição e memória do passado e  atuam  como  fatores   e    agentes        que   nos diferenciam do mundo animal.

Destruir os restos e vestígios deixados pelo passado como acontecido em Luanda e Maputo, logo após a independência, significou uma triste referência de destruição de um passado, que  positivamente, ou não, incorporara-se à sua  História e tinha cabal e efetivamente ocorrido.Numa prova de imaturidade e precipitação política, decapitaram-se estátuas e carros de combate soviéticos foram aos pedestais.

     Infelizmente, ninguém se preocupou com o registro dos seus legados. Apenas copiou-se o modelo de modificação implantado sem nenhuma reflexão sobre a valorização de si próprios enquanto povo e nação ou sobre aquilo que implantavam Ao contrário, mudaram-se os nomes de avenidas, ruas, escolas, hospitais e outros, para nomes como “Karl Marx”, Ho Chi Minh, e outros.

    Radicalizar não é copiar. Onde a sua valorização e identidade como povo?

Lido 685 vezes Última modificação em Terça, 26 Maio 2015 20:23
Eugenia Désirée Frota

Artista plástica e visual. Coordenadora de Artes do Nehscfortaleza. Jornalista.