Importância da História da Arte na Preservação do Patrimônio Histórico

A relação existente entre História da Arte e Patrimônio Histórico é intrínseca

 

Parto da idéia de que o homem cria objetos para expressar seus sentimentos diante da vida, de acordo com o momento histórico vivido.

Ou seja, ele sofre as influencias das condições do meio-ambiente e do meio social onde está inserido. Essas criações são legados e obras de arte que contam e testemunham a história do homem individualmente falando e de toda a humanidade. Desta forma, os testemunhos de sua existência são obras, intencionais ou não, que falam do passado de uma época. São esses restos e registros produzidos pelo homem que se constituem numa evidência histórica e devem ser perpetuados pelos cuidados do que convencionamos chamar Patrimônio Histórico. Importante nisto estabelecer critérios para priorização dessas evidências e educar a sociedade para proteger e zelar pelo legado dos seus antepassados.  A noção de preservação do patrimônio deveria estar, portanto, integrada a cultura de cada povo como uma parte dele mesmo e conservado como parte de uma herança inestimável.

Assim, muitos restos como as construções incorporadas ao patrimônio histórico de uma nação, outrora local de culto, lazer e moradi1a ou a presença de artefatos e utensílios do cotidiano são evidências das necessidades de sua vida diária. Fazemos historia todos os dias, pois a vida diária do homem, ao longo do tempo, atesta a evolução dos nossos hábitos, valores e formas de viver.

No terreno específico das artes maiores e menores há no seu legado um claro demonstrativo da necessidade vital que tem o ser humano de expressar-se artisticamente, seja pelo canto, pela dança, pela música ou ainda, por linhas, traçados e cores, independente de sua situação geográfica, raça ou crença. A civilização humana é constituída por toda uma mescla cultural de indivíduos letrados e iletrados. A necessidade de expressão artística deve ser própria e inerente à natureza do homem. Por sua universalidade, permanência e elementarismo, acima de tantas e diversas circunstâncias, a expressão artística parece pertencer a sua natureza biológica tanto sobre a forma ativa do artista que cria a emoção estética, como sob a forma passiva do contemplador da obra que recebe o fluxo da emoção gerada, criada e comunicada pelo seu autor. Essa necessidade de expressão artística é inerente à natureza humana e tem a forma de um instinto tal como o da conservação e o da reprodução.

O que sentimos e experimentamos na nossa experiência de vida não pode deixar de sofrer o domínio da emoção estética, do sentimento do belo. O belo cria em nós uma percepção de bem-estar, uma sensação de euforia e entusiasmo, em outras palavras, gera um acréscimo do nosso ânimo vital levando-nos a um desejo intimo de levarmos a outrem esta experiência do espírito.

Preservar o passado é educar para o presente. Manter íntegro o nosso legado histórico, olhos fitos no futuro, é o desafio que pede uma resposta.