Ligações com o Arco-Íris

A cor nos afeta, física e emocionalmente, enquanto psicologicamente parece captar os nossos sonhos. Uma das manifestações mais nítidas dessa assertiva são as nossas reações diante de um lindo arco-íris.

 

Desde a Antiguidade, que os filósofos tentam explicar o fenômeno da relação do ser humano com a cor. Acreditavam tratar-se de diferentes combinações de luz e sombra dividindo-se entre dois conceitos  dominantes: a cor como propriedade dos corpos, os fenômenos da coloração como  frutos de um enfraquecimento da luz branca. Ainda era forte, durante a Idade Média este conceito mesmo depois das definições de Leonardo da Vinci,  Newton e ainda influenciando Goethe.

Como os sabores, as cores são em número de sete, pois se admite que marrom seja apenas, uma nuance do preto. Por sua vez, o amarelo reporta-se ao branco e entre ele e o preto está o vermelho, o violeta, o verde e o azul, esta, a cor preferida por mais da metade da população ocidental As outras cores resultam de uma mescla de todas elas.

Já Leonardo da Vinci definia as cores primárias de uma forma que nos chega até hoje. São cores que não podem ser feitas da mistura de outras. Alguns outros artistas e cientistas, conhecedores do tema, não aceitam o branco e o preto como cor por considerar que um é a causa do outro e, ao mesmo tempo, cada um deles é a privação da cor. Há que se considerar o fato do pintor não poder dispensá-las em seus trabalhos, por isso, as cores primárias ocupam o primeiro lugar: o amarelo, o verde, o azul e o vermelho.

Newton, ao interceptar um raio de luz com um prisma, fazendo com que as cores surjam do espectro, realizou uma operação adicional em que as cores ao atravessar um segundo prisma, ou seja, com o uso de uma lente convergente, recompunha a luz branca original. A decomposição da luz permitiu que fosse proposta a separação das cores simples, conseguida por meio dos graus diferentes da refração de cada cor, revelada ao atravessar os corpos transparentes. Essa refração é denominada índice de refração. As aferições dos raios refratados possibilitaram a Newton retirar a noção da cor, do campo das impressões subjetivas, para introduzi-las nas aferições matemáticas.

Porém, considerava Goethe, Isaac Newton estava errado ao concluir que a síntese obtida das cores – luz (o branco) poderia ser conseguida da mesma forma utilizando-se cores – pigmento em movimentação, pois a cor resultante disso é o ocre muito forte.Assim,Goethe conceituava, a cor como um efeito, que, dependente da luz, não era a própria luz. Sua assertiva,baseava-se na existência de três tipos de cores como enumeradas a seguir, entendendo-se que a moderna divisão dos campos que estudam as cores correspondentes são precisamente as três cores de Goethe: óptica fisiológica (Cores Fisiológicas), óptica física (Cores Fisiológicas) e ópticas físico-químicas (Cores Químicas). (1)

Para ele, as cores Fisiológicas,eram dadas como algo que faz parte da vista, resultantes mesmo de uma ação e reação da visão. Estas são um fenômeno concomitante ou derivado de    meios incolores e parte integrante dos objetos e cores químicas. Ele demonstrou que as Cores Fisiológicas, são produzidas pelo órgão visual, sob a ação de uma ação, de uma excitação ou como forma de equilíbrio e compensação cromáticos, influenciadas pela ação do cérebro. Goethe conceituou, portanto a cor  como uma sensação transformada em percepção.

Hoje, sabe-se que uma alteração da luz branca pode ser causada por três fatores: o primeiro deles é à disposição das moléculas de um espaço da natureza particular de um átomo nas moléculas. Isto é o que primeiro ocasiona os fenômenos de coloração das bolhas de sabão dando-nos um arco-íris. Por sua vez, a segunda e a terceira causam envolvem fenômenos mais elaborados de coloração dos corpos derivados das químicas inorgânica e orgânica.

No espaço, as moléculas funcionam como meio refrator, decompondo a luz branca por dispersão dos raios coloridos. Assim, composição e estrutura dos átomos que decompõem a luz  são feitas por absorção e reflexão de seus raios.

Goethe discordava também de Leonardo da Vinci quanto ao que ele classificou de afinidade de certas cores com a luz e a sombra. Para ele “a luz engendra em si mesma uma cor que chamamos de amarela e sombra e outra que denominamos de azul”. Nos casos de ao seu estado puro, serem somadas, o resultante será uma terceira cor: o verde. Todavia, cada uma  das cores primarias vai se  tornar mais densa ou escura, podendo ficar tão avermelhada que não se torna possível notar-se o amarelo e o azul primitivo.

No terreno físico, pode-se conseguir um vermelho mais vivo e puro, misturando-se os dois extremos do vermelho amarelado e do vermelho azulado. “Este é, pois o aspecto vivo do fenômeno cromático e da produção das cores”. Além disso, designadas como quentes ou frias, estudadas como fundamentais e complementares, elas  alegram nossas casas, nossos olhos e nossas vidas, devendo ser estudadas nas escolas (1) Podemos concluir que Goethe não invalidou a teoria de Newton, mais acrescentou novos dados. Para os olhos dos mortais comuns o importante, entretanto, é deslumbrar-se, entre outras visões, com as cores românticas do arco-íris.

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(1) Veja o trabalho fundamental de Israel Pedrosa DA COR A COR INEXISTENTE.  9ª. ed. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial Ltda.

(2) S cf. Sobre a questão relativa a mudança na percepão de cores e imagens Manifestações Artísticas in RETRATO DA ARTE MODERNA de Kátia Canton da Editora Martins Fontes,  S. P: 2002.

(3) Sobre o assunto, cf. as excelentes páginas da ASPL-Associação Sindical de Professores Licenciados “As novas técnicas de ensino. A criação de páginas HTML como recurso didático”, sob a orientação do Professor  Henrique Oliveira, Ms.