Luciara Silveira de Aragão e Frota

Luciara Silveira de Aragão e Frota

PROFESSORA LUCIARA SILVEIRA DE ARAGÃO – Responsável pelo convênio. Entrevista com o Deputado Federal Parsifal Barroso, dia 17 de Junho de 1976, para o Projeto de História Oral produto do Convênio da Universidade Federal do Ceará com o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. 

   A Metáfora do Sol é um dos últimos livros que integram a obra completa de Dimas Macedo. Trata-se de uma seleção de ensaios referentes a trabalhos publicados entre 1984 e 1989, alguns deles inéditos incentivando ao debate de estudos políticos e a crítica literária. Um livro de temáticas diversas unido pelo fio condutor de tentativas de compreensão de grandes temas como liberdade, justiça social, ideologia e política, história e memória. Um livro composto, na sequência, pelos Recortes Literários e Reflexões Políticas.

   O debate teórico do socialismo e o interesse pelo polêmico conceito de soberania e desenvolvimento são inovadores na mesma medida que se ligam à interdependência entre os estados.   O discurso ideológico do Padre Mororó, o sentido e o alcance da democracia devem ser lidos e refletidos concordes o pensamento do autor sobre a permanência do clientelismo político no Nordeste e a realidade da existência dos velhos e dos novos coronéis, alguma coisa símile ao verso e reverso de um cartão de embarque, que acaba de ser emitido. O livro apresenta como cenário visões parciais da Terra do Sol onde os temas tocados pelo autor são preocupações no meio universitário brasileiro onde se percebe a mistificação ideológica e a necessidade de libertar a literatura do processo de escamoteação do real, reforçada pelo não reconhecimento de sua inserção no lócus social.


Este sem dúvida foi um livro que me surpreendeu muito, e figura entre um dos melhores ensaios de nossa historiografia que já tive oportunidade de ler. Eu já havia lido do poeta Dimas Macedo A Distancia de Todas as Coisas (1980 3 ed. 2001). Mas sem dúvida alguma, A Metáfora do Sol superou minhas expectativas. Acredito que o interesse do leitor é captado em cada linha, pois é solicitado a envolver-se direta ou indiretamente na temática.

Mas a surpresa da leitura não para por aí. Querem saber por quê? Outro detalhe de relevância nos livros de Dimas Macedo, e que não poderia faltar neste aqui, é o uso de uma linguagem provocativa muito real, propondo uma reflexão exposta na sua trama, na prosa e na poesia. Ela pode ser tecida de forma que a realidade da observação pode ser encontrada no nosso próprio cotidiano. Ou seja, há elementos que nos fazem pensar, divergir, contradizer, mas o autor não nos deixa indiferentes ao que escreve.

 Um bom exemplo em A Metáfora do Sol é o capítulo sobre a Literatura Feminina Cearense- Introdução. É o tema abordado no livro quase de forma pioneira onde ele nomeia algumas literatas - agradecendo aqui ao autor o obséquio de citar-me- mesmo sem especificar tantas mestras e doutoras cearenses formadas no Brasil e no exterior. A educação superior no país, e toda a dificuldade que pode haver por trás das instituições de ensino e das próprias carreiras de cada uma delas fica à imaginação do leitor. Mas, com certeza, um dos pontos altos do livro é a fundamentação de qualidade e conhecimento do assunto, mesmo com os necessários cortes parciais dos temas elencados. As condições de marginalidade no domínio da arte literária e o esquecimento  de algumas obras e autores que deveriam integrar o rol de nossas lembranças é tocado de forma muito sutil. Considero mesmo que de certa forma, é inusitado entre nós E muitos de vocês irão se surpreender com o final de alguns capítulos o que tornou a leitura mais agradável e envolvente. O fato da abordagem de vários assuntos, ao contrário do que se possa pensar deixou o livro bem interessante e mais convidativo para a sua utilização prática em trabalhos de pesquisa.

 

A Metáfora do Sol: Ensaios e Reflexões. 1984-1989 em 5ª edição foi impresso em Fortaleza pela Expressão Gráfica Editora e tem 148 p.

 

Sexta, 08 Maio 2015 01:22

História e Cultura de Massa

Resumo

A multiplicidade das obras literárias e científicas e o excesso de informações da Cultura de Massa levam o Historiador à necessidade de apurar a crítica como auxiliar na evolução de um processo fidedigno de avaliação. Processo destinado a mensurar não só a sua produção e a que lhe chega às mãos, mas a crítica imprescindível à preservação da dignidade de sua tarefa. Como leitor ou como estudioso, faz parte de seu mister a análise do seu tempo e do seu momento, como forma de inserir-se adequadamente ao momento histórico vivido, utilizando o ato crítico que convoca o mesmo uso dos processos mentais do ato de criação. A Cultura de Massa, nossa contemporânea trás certa complexidade e certa perplexidade, mas, não nos esqueçamos, a busca da verdade histórica parte do resgate da evidência como ponto básico e referencial.

Segunda, 09 Março 2015 05:52

Popular Medicine in the Northeast of Brazil

 

Na evolução da formação histórica, econômica e social da América Latina podemos observar nos seus primórdios ter havido sempre uma adequação à estrutura dos países europeus, ditos colonizadoras. Noutras palavras, o desenvolvimento da América Latina desde o descobrimento tem gravitado em função dos centos exteriores, tendo a Europa como ponto de partida até a influência dos Estados Unidos da América nos dias atuais.

         I – O TEMA NA HISTORIOGRAFIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

- Interdisciplinaridade e importância da História das Relações Internacionais -

Estas notas foram redigidas tomando por base a correspondência diplomática existente no Arquivo Histórico do Itamaraty, no Rio de Janeiro, e nos Relatórios da Repartição dos Negócios Estrangeiros, na Biblioteca Nacional da mesma cidade. Escolhemos essa periodização pela parca divulgação dada ao tema das relações bilaterais no Século XIX, tanto no Brasil como na Venezuela. Colocamos em forma de Anexo a listagem da documentação de fonte primária utilizada neste trabalho, naqueles dois centros de pesquisa, com o objetivo de facilitar futuras consultas. A documentação coligida – principalmente a que concerne ao período de Leonel Alencar, oferece um panorama amplo da situação interna da Venezuela e das principais preocupações brasileiras no âmbito de suas relações externas.

Domingo, 08 Março 2015 21:42

A Subjects of Concepts

Creativity is the capacity of to join fantasy and materialization.Who teaches that is the italian sociologist Domenico of Mesi.There is to be descovered the criativity and the inclination of the thing and, to remove the obstacles of the road.

It is more or less inside of that revenue that you /they move the emergent countries.But, any mistake in the ingredients and the population is who more you/he/she suffers.See Russia and all your warli-Ke potencial.Even so,your citizens don’tescape from consuming italianice creams with date of due production.Good, does he/she wonder the one what the poorcountries they have to give to the rich ones?Air bases, naval,your culture and matter excels.It is a new slaveryform.Less painful, stiller a slavery.A modern type of slavery.

It is useful, in this case, to do use of insert attempts not distanced of the reality.Emittedsigns of the USA leave clear that there are not reasons for torrents of expectations, like this so positive for Latin –American states.There is not interestof the “cousin poterza” in beginning aconversion process to the Latin regionalism.

The structure of change powders polarity in the word politics,generated efforts to strengthen regional government’s initiatives.gone back to the globalization.Alignment strategiesand concerns with subjects of distribution of power in regional and global level.Without a doubt, inthe brazilian

Case, to quadruplicateto divide and to demonstrate liguisticdomain in imitations ofGreman , inthe meeting as the one of Rio, does’t increase the credibilityof the Country.In fact,we didn’t need to be deep to know that important it was eaten very well.

He/She/you doesn’t refuse the importance of MERCOSUL, important fuel for expansion of the level “gesselschaft”(F.Tonnies.), complicatedword to designate developing of the sociological idea of association of business.the one that she criticize is theresult of the lack of presidential creativity with relationshipto the application of another concept of the same sociologistthe “gemeinshchaft” , initially employee for the communities ‘s stydy,used to analyse reasons of solidarity and loyalty

From behind of the regionalism.The elasticity of the concepts,well it could be backdrop to the rela-Tionship fantasy – materealization.Stiller: to remove obstacles of the road...

1964: A conquista do Estado (Ação política, poder e golpe de classe)  o produto da pesquisa realizada por René Armand Dreffus, no período de 1976-1980 para sua tese de doutoramento em Ciência Política na Universidade de Glasgow, na Escócia continua atual. A idéia inicial para a escolha do tema surgiu quando Dreffus, uruguaio de nascimento, participava do Curso de Mestrado em Política na Universidade de Leeds, Inglaterra, sob a orientação dos professores Hamza Alaui e Ralph Miliband. Pode-se nele observar o legado da herança de Dreifus, um dos mais brilhantes cientistas políticos do nosso tempo falecido em maio de 2004.

Para consecução dos seus objetivos, fizeram-se necessárias pesquisas não só no Brasil, mas ainda nos Estados Unidos sob o patrocínio do Social Science Research Council, da Grã-Bretanha. No Brasil, as pesquisas estenderam-se a fontes não publicadas, nos Arquivos do IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais); Arquivo Nacional (pesquisando-se aí também os arquivos de Luís Viana Filho e de Paulo de Assis Ribeiro); o do Marechal Castelo Branco, no CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação) da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro; a Coleção ECEME (Escola do Comando e Estado-Maior do Exército) e documentos da Biblioteca do Exército, Primeira Região Militar e da Escola Superior de Guerra. Nos Estados Unidos, as pesquisas em fontes não publicadas englobam o National Security – Brasil; Presidential Office Files – Staff Memoranda e Ralph Dungan Papers na Biblioteca John Kennedy em Boston.

O elenco destas fontes, dentre outras, faz acreditar que benefícios maiores poderiam resultar do exame e análise de tão vasta documentação,Mas, de modo algum esta observação invalida o que foi feito de substancial.Do ponto de vista formal, o trabalho não contém Introdução, além de sucintos agradecimentos apresentados como tal. O Capítulo I, “A formação do populismo”, é o que faz às vezes de intróito, retroagindo aos 30 anos. A Introdução fez falta, principalmente quando consideramos as suas volumosas 814 páginas. Neste primeiro capítulo, o autor foi muito feliz quando partiu da consideração inicial do que apesar de a indústria e de os interesses agro-exportadores haverem estabelecido um “estado de compromisso”, a coexistência entre si foi difícil sendo o período marcado por crises contínuas. Tal acontece, de fato, a partir de 1932, o que levou ao estabelecimento do Estado Novo em 1937. Sem perder o foco de seu interesse central ligado à identificação das forças sociais que emergiram na sociedade brasileira com o processo de sua internalização (em sua etapa moderna e o acompanhamento de sua intervenção do Estado e na Sociedade Brasileira), Dreiffus faz referência aos slogan” adotado pelos empresários em sua convenção nacional de 1945, tais como “democracia econômica” e “justiça social”. Referindo-me à mobilização das classes trabalhadoras, de fato, feita dentro de certos limites, indica-a como suporte para “o estabelecimento de um executivo relativamente independente” colocando Vargas acima do controle das Forças Armadas. Daí a conseqüente do Exército (tendo a FEB como frente) aliando-se aos industriais locais, à oligarquia, às classes médias e às empresas multinacionais (as quais haviam então renovado os seus interesse pelo Brasil), depondo o presidente.” Reportando-se à eleição do Marechal Eurico Gaspar Dutra, dado como o responsável pelo favorecimento do “laisse faire” na área econômica, aparece “frouxa” a ascensão do Partido Comunista, o qual obteve nas eleições o mesmo número de votos que o PTB. Tal assunto, se mais explorado, forneceria ao leitor melhor imagem da “cooptação da classe trabalhadora pelo populismo”.

Dividido em dez capítulos em dez capítulos – na verdade considerando seu autor como capítulos a Introdução e a Conclusão (Cap.X) – o trabalho não chega a analisar toda a documentação disponível apresentada, possivelmente em função mesmo da grande quantidade de material obtido. Os dês “capítulos” compõem a primeira parte do livro, num total de 493 páginas. Na segunda parte do livro, Dreiffus inclui mais de 390 páginas de publicação de apêndice. Tais apêndices são concernentes à lista de membros da American Chamber of Comerce, por exemplo, às atas esparsas das reuniões do IPES (23 de novembro 62, 22 de janeiro, 8 de abril 63), cartas e ralatórios, porém sem uma adequada explicação e/ou análise, nem ligação precisa com a primeira parte do livro. Numa época em que a concepção de História superou a idéia de que “os fatos falam por si mesmos” e a de que seja História e mera publicação de documentos (como se os fatos ali estivessem adormecidos à espera de quem os acordasse) fica frustrada a curiosidade intelectual do leitor, mormente quanto aos documentos relacionados à infiltração comunista, em 1964. Consiste, pois na primeira parte o maior interesse do estudo.

Interessante é a distribuição didática do conteúdo dos capítulos numa montagem coerente de subtítulos em relação ao título-chave, seguindo-se a todos, fartas notas bibliográficas. É pena que o trabalho de tal fôlego falte um indispensável índice remissivo.

Mediante a descrição do complexo que levou a elite orgânica à ocupação e atuação nos postos estratégicos do Estado, desde a fase do recrutamento, estrutura decisória e organização para ação, o autor nos põe em contato com os acontecimentos políticos num estilo atraente como se estivesse o leitor convivendo familiarmente com os personagens citados. Rico de informações, o trabalho tem o mérito de desmistificar a idéia do não-envolvimento dos empresários nos negócios políticos. “A forma de ação política mais importante exercida pelos empresários e tecno-empresários é que sempre foi pouco enfatizada em estudos anteriores da conjuntura política do início da década de sessenta, a campanha dirigida pelo IPES contra o executivo, à esquerda e o trabalhismo”.

Em suas conclusões, até certo ponto modestas, Dreiffus, afirma que “a nova relação entre o Estado, as classes dominantes e o bloco de poder multinacional e associado permitiram ao IPES moldar o processo de modernização econômica. Volta-se para uma história do bloco do poder multinacional principiada em 1º de abril de 1964, época em que ”tornaram-se Estado” os novos interesses dominantes. A proposta contida no primeiro parágrafo de suas conclusões, sobre observações ligadas às implicações metodológicas, teóricas e políticas são insuficientemente cumpridas ao longo de todo o trabalho, limitando-se seu autor apenas às menções e referências a Gramsci e a Poulantzas.Apesar de um trabalho científico, isto não invalida o foco do seu trabalho . tão necessário à compreensão dos dias de hoje.

Lançado numa época de parcos estudos sobre o empresariado brasileiro e sua atuação, a obra de Dreffus não pode, contudo, deixar de ser da maior validade para os interessados na História Contemporânea do Brasil, constituindo-se em uma fonte de consulta obrigatória aos seus estudiosos. Por que não uma reedição?

(Petrópolis, Vozes, 1981. 814 página)

Pagina 2 de 4